Liminar provoca protesto
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quinta-feira, 20 de setembro de 2001
Lucinéia Parra <br> De Maringá 
Cerca de 100 pastores da Igreja Só o Senhor é Deus, participaram de uma carreata e se concentraram em frente ao Fórum de Maringá, ontem de manhã, em protesto contra a liminar concedida pelo juiz Belchior Soares da Silva, da 6 Vara Cível, que cassou o direito da igreja de administrar a Rádio Difusora de Londrina. A liminar foi concedida terça-feira. Os pastores da Só o Senhor é Deus pretendem recorrer da decisão.
''O juiz entendeu que a rádio é de Miranda Leal, mas nós provamos nos autos que a rádio é da igreja'', disse o pastor Geraldo Aparecido Marciano, um dos atuais dirigentes da Só o Senhor é Deus. A manifestação de ontem contou com a presença de pastores de diversos Estados brasileiros. ''Queremos mostrar para o juiz que o povo de Deus quer justiça'', justificou.
Os manifestantes ficaram cerca de meia hora em frente ao Fórum de Maringá. Eles cantaram parte do Hino Nacional e o hino da igreja. Em seguida alguns pastores discursaram contra a decisão judicial e todos leram as frases estampadas em diversos cartazes que pediam a volta da direção da rádio para os dirigentes da igreja. Uma das frases dizia: ''Excelentíssimo juiz, onde está a Justiça?''
De acordo com o juiz Belchior Soares da Silva, a liminar foi um parecer técnico. ''A liminar não julga o mérito da questão, foi um parecer técnico porque considerei que a direção da igreja fundamentou uma coisa e pediu outra'', disse. Segundo ele, os dirigentes da igreja fundamentaram o processo alegando que houve desvio de dinheiro por parte do ex-presidente da Só o Senhor é Deus, Miranda Leal, mas pediram que a rádio fosse declarada de propriedade da igreja. Ele ficou surpreso com a manifestação e disse que a liminar deveria ser contestada no Tribunal de Justiça.
Silva cassou a liminar concedida pelo juiz Joaquim Pereira Alves em fevereiro do ano passado, que repassava a direção da Rádio Difusora de Londrina para os dirigentes da Só o Senhor é Deus. A briga entre os atuais dirigentes da igreja e o seu fundador e ex-presidente da entidade, Miranda Leal, começou em dezembro de 1999 quando Leal renunciou ao cargo. Ele tentou voltar à presidência da igreja em 2000, mas os dirigentes já haviam mudado o estatuto da entidade.
No processo que tramita na Justiça, Leal é acusado de desviar cerca de R$ 6 milhões da igreja. Uma Mercedes-Benz no valor de R$ 290 mil também teria sido comprada por Leal com recursos da igreja. Conforme Marciano, além da rádio, o juiz Belchior Soares da Silva devolveu para Leal a Mercedes-Benz e dois apartamentos que tinham sido arrestados.


