A Caixa Econômica Federal (CEF) conseguiu na Justiça uma liminar que proíbe, a partir de 5 de fevereiro, a venda da raspadinha do Serviço de Loteria do Paraná (Serlopar) nas 435 lotéricas do Estado. Caso o Serlopar não consiga reverter a medida, o governo deixará de arrecadar cerca de R$ 7 milhões ao ano, de acordo com o cálculo do empresário João Luiz Soares, que venceu a concessão para distribuir e revender as raspadinhas. Tais recursos são aplicados na manutenção de programas e entidades sociais.
Segundo Soares, a CEF exige que o Serlopar pague 7% da arrecadação da venda dos bilhetes para permitir o uso da rede lotérica. O empresário considera a cobrança um ‘‘absurdo’’. ‘‘Ela é ilegal’’, diz. ‘‘Mesmo que o Serlopar queira, a lei do Paraná não permite esse pagamento.’’
O empresário afirma que a CEF adotou tal medida para impedir a concorrência da raspadinha do Paraná com seus produtos, que estariam perdendo espaço no mercado. Soares criticou a proibição porque o Serlopar vendia seus produtos na rede lotérica antes mesmo da CEF ser criada.
Além disso, segundo Soares, todos os outros produtos do Serlopar continuarão a ser vendidos. ‘‘A caixa tem fixação pela raspadinha porque ela é um sucesso, devido a propaganda’’, afirma. Conforme ele, para não ter que concorrer com a raspadinha, a caixa tenta proibir a venda.
Dono das Lotéricas Murici, Auxílio Fugimoto afirma que a raspadinha do Paraná impulsiona a venda de outros produtos e que será grande a perda financeira para as lotéricas. Sem mencionar o tamanho do prejuízo, Fugimoto diz ter recebido uma carta na qual era avisado que deveria acabar com os estoques do produto até o dia 5 do próximo mês.
Embora seja um dos interessados, Luiz Soares disse que não irá tomar nenhuma medida judicial para evitar a suspensão da venda. Segundo ele, esse é um papel do governo do Estado, que seria o maior prejudicado com a proibição e a perda de arrecadação. O presidente da Serlopar foi procurado pela Folha, mas estava em tratamento médico e não pôde atender.

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