Liminar proíbe garimpagem em Ponta Grossa
A Prefeitura de Ponta Grossa não está cumprindo uma liminar obtida pelo Ministério Público no ano passado, proibindo a garimpagem no lixão da cidade, no localidade rural de Botuquara. A Vega Engenharia Ambiental, empresa responsável pela coleta de lixo, também não vem respeitando a decisão judicial. Na época em que a liminar foi concedida, a prefeitura chegou a colocar vigias no local, mas com o tempo a fiscalização deixou de existir e os garimpeiros voltaram a viver do lixo.
A liminar determina que a prefeitura pague R$ 200,00 diários de multa, caso as pessoas voltem a frequentar o lixão. Mas a sanção também não está sendo respeitada. O juiz da 2ª Vara Cível, Fábio Leite, deve expedir na próxima semana a sentença sobre a ação civil pública movida pelo Ministério Público.
Enquanto a decisão não sai, muitas famílias estão praticamente morando no lixão. Como residem longe do depósito, elas resolveram construir barracas para poder se alimentar e passar a noite com mais conforto, sem precisar ir para casa todos os dias. Estou indo embora três vezes por semana, conta Josnei Soares. Com o dinheiro que ganha vendendo o lixo reciclável, está sustentando a esposa de apenas 15 anos e o filho de três meses. Ele relata que a mulher ainda está de dieta, mas em pouco tempo deve deixar a criança com seus pais para também trabalhar no lixão.
Cerca de 70 famílias sobrevivem da coleta de material reciclável no lixão de Ponta Grossa. Elas passam o dia revirando o lixo do Botuquara, onde é depositado tudo que é coletado na cidade, inclusive resíduos hospitalares. Os garimpeiros, como gostam de ser chamados, dizem que retiram até R$ 70,00 por semana e que, por isso, vale a pena correr o risco de contrair alguma doença. Se não for daqui, não temos de onde tirar nosso sustento, argumenta Antônio Carlos Alves.
O prefeito Péricles de Holleben Mello (PT) admite que o problema dos catadores de lixo precisa de uma solução imediata. Acreditávamos que seria possível resolver esse problema nos primeiros cem dias da administração, mas ainda não deu tempo, alega. Segundo ele, a prefeitura já está estudando alternativas para que essas pessoas possam substituir a renda que garantem vendendo o lixo.





