Albari RosaMotivoFuncionários do Extra colocam cartaz informando o público sobre o porquê do fechamento, apenas meia hora depois de abrirOs supermercados Extra e Coletão abriram ontem pela manhã, mas em seguida fecharam por causa de uma liminar da 9ª Junta de Conciliação e Julgamento, concedida pelo juiz Roberto Dala Bárbara já na quinta-feira. Alguns consumidores ficaram revoltados por não poderem entrar, pois haviam adiado as compras depois de ver propagandas na TV comunicando que os supermercados abririam no feriado. O Carrefour funcionou normalmente e a gerência de plantão informou que não havia sido notificada sobre a liminar. O movimento foi bom durante o dia todo.
O gerente geral do Extra Supermercados, Vlademir Stervid, disse que foi informado sobre a liminar por volta das 23h30 da quinta-feira. O Sindicato dos Comerciários alega que não houve acordo prévio com os trabalhadores para que a loja abrisse na Sexta-feira Santa. Na dúvida, a loja foi aberta às 9 horas de ontem e, depois de uma consulta à matriz em São Paulo, a gerência local foi orientada a fechar meia hora depois. Segundo ele, nenhum oficial de Justiça foi ao local. Dos 400 funcionários, 150 estavam trabalhando e foram dispensados. Eles receberiam hora-extra, vales-transporte e refeição e, como brinde, um ovo de Páscoa e uma caixa de chocolates.
Stervid disse ainda que a empresa tentaria uma liminar na Justiça garantindo a abertura da loja neste domingo de Páscoa. Mas, segundo o plantão judiciário, isso não é possível porque na área civil não há expediente nem plantão até segunda-feira. O plantão funciona apenas para questões criminais. Na sexta-feira da Paixão e no domingo de Páscoa, o Extra esperava atender a cerca de 10 mil consumidores, o equivalente a um terço do público dos dias normais. Em São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul os supermercados da rede funcionaram normalmente ontem. ‘‘É um anseio dos consumidores’’, disse Stervid. Se abrisse a loja em Curitiba, o Extra teria de pagar multa.
Albari RosaDe foraA aposentada Maria Virmond, barrada na porta do supermercado, queria comprar peixe para o filho que havia chegado de viagem
Depois de fechar e colocar dez seguranças nos portões de entrada, a gerência colocou um cartaz informando os consumidores de que a decisão era unilateral, do sindicato, e que os funcionários haviam optado por trabalhar espontaneamente. ‘‘No momento em que o Brasil precisa da força do trabalho e da geração de empregos, fomos forçados a fechar a loja’’, dizia o cartaz. Mesmo com os portões fechados, a loja teve de funcionar quase duas horas a mais para atender aos clientes que já haviam entrado.
A dona-de-casa Ester Rodrigues conseguiu ser atendida. Ela e a família deixaram para fazer as compras do mês no feriado porque não tiveram tempo durante a semana. ‘‘Isso não é compra de Páscoa, não, é mantimento básico para passar o mês’’, disse. Ester elogiou a existência de horários alternativos para compras, mas disse sentir ‘‘pena’’ dos funcionários do supermercado.
As aposentadas Maria Virmond e Altina Máximo debatiam em frente à loja a validade da abertura do comércio em dias santos. Maria achou ‘‘uma falta de respeito’’ e lembrou: ‘‘Antigamente, nem o lixeiro passava em dia santo. Agora está tudo mudado’’. Ela contou que só foi ao supermercado porque um dos filhos, que havia chegado de viagem, queria comer peixe e ela não tinha em casa. Altina foi porque esqueceu de comprar algumas coisas no dia anterior. ‘‘Eu acho ótimo poder fazer compras na hora em que a gente resolve’’, disse.
O radialista Jimy Raw disse que se preparava para fazer compras na quinta-feira à noite quando viu pela TV a propaganda de que o supermercado abriria ontem. ‘‘Adiei as compras e agora chego aqui e vejo que fiquei na mão. É um absurdo que em plena democracia a gente não possa vender e comprar na hora em que bem entenda. E agora? A gente faz o quê?’’, esbravejava. Já o professor Ulisses Mendes Machado disse que, como cliente do supermercado, acha que os funcionários são mesmo explorados. ‘‘Eles reclamam pra gente que não recebem hora-extra e que são obrigados a compensar as horas trabalhadas depois’’, contou. Ele afirmou que o Ministério do Trabalho deveria ser ‘‘ainda mais rigoroso’’ e que sua família decidiu não fazer compras em horários alternativos por discordar desta situação.
No Carrefour, o funcionamento foi normal durante o dia todo e muita gente aproveitou para comprar os ovos de Páscoa e peixes. O gerente de plantão Geraldo Felipe disse que o movimento foi o esperado e que a rede não havia sido notificada da decisão judicial. No total, o Carrefour tem 600 funcionários, mas Felipe não informou quantos estavam trabalhando ontem. (colaborou Carmem Murara)

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