O grupo de manifestantes que protestam contra o aumento da tarifa do transporte coletivo em Londrina sofreu um duro golpe na tarde de ontem. Por volta das 18h30, o oficial de justiça Adelino Nascimento tentou notificar os integrantes do movimento de uma liminar concedida pela Justiça, proibindo o fechamento do Terminal Urbano. Ninguém quis receber a notificação, que foi lida para os participantes do movimento na Praça Rocha Pombo.
A empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) ingressou com o interdito proibitório, que foi aceito liminarmente pelo juiz José Ricardo Alvarez Vianna, da 8 Vara Cível. A medida determinava que ''o réu (Comitê pelo Passe Livre, Redução da Tarifa e Estatização do Transporte), seus representantes e associados se abstenham da prática de quaisquer atos que coloquem em risco o regular desenvolvimento de suas atividades da autora, ou a integridade física de terceiros.''
Determina também que o grupo não pode bloquear as garagens das empresas, o ônibus nas ruas e o trânsito em geral. Estipula, ainda, multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento. A medida é extensiva à Francovig.
a MEDIDA PROVOCOU REVOLTA ENTRE OS INTEGRANTES DO MOVIMENTO. a ESTUDANTE Soraia de Carvalho, 24 anos, ressaltou que o movimento ''não está cometendo nenhum crime.'' ''A ação mostra que não vivemos numa sociedade democrática. As pessoas são tratadas como criminosas quando se manifestam. É bastante curioso que essa decisão judicial tenha saído tão rápido. Quando é para avaliar a redução da tarifa, as decisões sempre demoram'', alfinetou.
Ela disse ainda que a TCGL seria testa-de-ferro porque a prefeitura não quis entrar na Justiça. O grupo deve reunir-se com um profissional de uma associação de advogados populares para definir quais serão os seus próximos passos.
O secretário do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Municipal de Passageiros e de Características de Metropolitano de Londrina (Metrolon), Gildalmo de Mendonça, disse que a preocupação das empresas é com a integridade de funcionários e passageiros.
''Eles podem protestar onde quiserem. Somente não podem bloquear o trânsito e os ônibus no terminal'', disse. Ele estima o prejuízo causado pelo protesto em R$ 10 mil por dia para a TCGL.
A exemplo dos primeiros dias, os manifestantes percorreram ruas da Área Central, mas desta vez não impediram as saídas de ônibus do terminal. Em assembléia na Rocha Pombo, decidiram retomar o movimento Pula Catraca, que marcou os protestos de 2003.
O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Gabriel Ribeiro de Campos, revelou que um grupo formado por técnicos da administração municipal, empresas e Polícia Militar está elaborando um plano de contigência para organizar o embarque de passageiros fora do Terminal Urbano. ''A idéia é minimizar os efeitos quando o terminal não puder ser utilizado por qualquer motivo, com uma reforma ou acidente, e assim garantir o direito de ir e vir dos passageiros'', esclareceu.

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