Dimitri do Valle
De Curitiba
O dentista César Andraus conseguiu uma liminar na Justiça Federal para reabrir sua clínica, em Curitiba. O juiz federal substituto Rodrigo de Souza Cruz justificou que não havia risco imediato de dano à saúde dos pacientes, já que haviam cirurgiões dentistas trabalhando na clínica. O local foi fechado na terça-feira, por fiscais do Conselho Regional de Odontologia (CRO). Andraus empregava funcionárias que atendiam pacientes como se fossem dentistas. O CRO entendeu a prática como exercício ilegal da profissão.
De acordo com o advogado de Andraus, Gilberto Gaeski, os fiscais ‘‘não têm legitimidade para interditar o consultório de ninguém’’. O advogado argumentou que os fiscais extrapolaram suas funções. ‘‘Eles não têm poder de polícia e a interdição só poderia ser feita pela própria polícia ou por organismo do governo ligado ao setor de saúde’’, declarou, citando o Código Sanitário do Estado.
Gaeski confirmou que o trabalho das auxiliares sempre foi supervisionado por cirurgiões dentistas. ‘‘Havia cinco profissionais no momento em que a fiscalização invadiu a clínica’’, relatou. O advogado afirmou que seu cliente sofreu uma retaliação por prestar serviços na área de ortodontia, que consiste no tratamento para corrigir o posicionamento dos dentes.
A direção do CRO diz que a ortodontia só pode ser exercida por dentistas especializados na matéria. ‘‘Está havendo uma disputa de mercado. Alguns poucos dentistas detentores dos títulos dessa especialidade querem atrair somente para si o exercício da ortodontia’’, assinalou. Gaeski entendeu que qualquer dentista pode exercer o tratamento.
‘‘Ao sair do curso, o dentista formado vai atuar em todos as áreas porque a formação acadêmica oferece esta possibilidade’’, mencionou. O advogado de Andraus, que reabriu a clínica ontem, disse que se alguém praticou alguma irregularidade foram os fiscais. ‘‘Não havia nenhum profissional do CRO supervisionando o trabalho dos fiscais, que não são dentistas’’, disse.
O advogado do dentista acusado disse que estuda a formulação de ações judiciais para processar os responsáveis pelos danos morais e materiais sofridos por César Andraus. ‘‘Meu cliente teve sua clínica fechada e nem pôde se defender’’, protestou.

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