Curitiba - A Escola Municipal Antônio Prado, em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba, funcionou normalmente, ontem, data em que estava previsto o seu fechamento pela prefeitura. Uma liminar concedida pela juíza Inês Marchalek Zarpelon garantiu a continuidade das aulas na escola.
A magistrada aceitou o argumento da advogada do movimento "Escola Não se Fecha", Myrian Oliveira Rosa, contra a justificativa apresentada pela prefeitura à comunidade escolar - em reunião realizada no último dia 24 de março - de que serão fechadas, até 2010, as escolas rurais e multisseriadas do município, conforme decreto do Conselho Nacional de Educação.
"A escola é urbana, os pais dos alunos pagam IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e trabalham em Curitiba, caso contrário teriam que pagar ITR (Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural). E a escola também não é multisseriada. Aconteceu que apenas os alunos do primeiro e segundo ano ficaram juntos para adaptação (física) ao ensino fundamental de nove anos", esclareceu a advogada. Oito das 16 escolas rurais de Almirante Tamandaré já foram fechadas.

Escola centenária

Myrian também ressalta o envolvimento da comunidade com a escola, fundada há 149 anos. "Ela interage com a comunidade, que tem amor pela escola, um vínculo. O movimento (contra o fechamento da escola) foi espontâneo", afirma.
O procurador-geral do município, Martinho Carlos de Souza, informou que vai apresentar, ainda nesta semana, a defesa à juíza e, também, recorrer ao Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná. Souza afirma que a medida visa melhorar o aproveitamento das escolas como a Antônio Prado, que, segundo ele, está subutilizada. "É um ato de gestão do município. São apenas 32 alunos matriculados. É uma estrutura grande, com poucos alunos, que seriam encaminhados para escolas próximas e com transporte escolar", afirma. A proposta é que o espaço da escola seja utilizado pelas 150 crianças e adolescentes que participam do Programa de Erradicação do Trabalho
Infantil (Peti).

Vigília

Mesmo com a liminar, integrantes do movimento permaneceram, ontem, em frente à escola como forma de protesto. Eles pretendiam realizar uma vigília no local para impedir o fechamento da escola. "Foi uma vitória que a gente não contava e é muito importante", afirmou o coordenador o movimento, Luiz Romero Piva.
De acordo com a professora e ex-diretora da escola, Elizabete Piekas, estavam matriculados, no início deste ano, 56 alunos. Com a proposta da prefeitura em fechar a instituição, alguns pais decidiram, espontaneamente, transferir os estudantes para outras escolas. Atualmente, cerca de 35 alunos continuam frequentando o local.
A dona de casa Patricia Chechting, 29, mãe de dois alunos que estudavam na escola, decidiu antecipar a mudança de seus filhos. "Não quis esperar que fechassem a escola", conta. Já Leonora Maria Nogalski, 39, que também tem duas filhas matriculadas na instituição, garante que não vai deixar de levar as duas filhas a escola da Vila Prado. "Não tenho opção de outra escola. Nenhuma tem condição de acolher com segurança minha filha com síndrome
de Down."
Desde a apresentação da proposta do município em fechar a escola, a comunidade da Vila Prado se mobilizou contra a medida. No dia 9 de abril, cerca de 200 pessoas, entre estudantes, pais, professores e membros da comunidade realizaram uma manifestação, com um abraço simbólico ao redor do prédio da escola.
A proposta da Prefeitura de Almirante Tamandaré é de transferir os alunos da Escola Municipal Antônio Prado para outros dois estabelecimentos que ficariam próximos à vila e oferecer transporte para todas as crianças.
Uma assembleia marcada para amanhã, às 19 horas, vai reunir na escola a comunidade para discutir as próximas ações contra o fechamento da instituição.

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