O aposentado Albertino Marques, 73 anos, integra uma das famílias carentes que não se enquadram nas atuais regras da tarifa social. O consumo mensal da família, segundo a média dos últimos seis meses, é de 40 metros cúbicos. A dívida dele com a Sanepar é superior a R$ 1 mil. Na casa moram sete pessoas e a única renda é a aposentadoria de Albertino, de um salário mínimo.
Ele já sofreu cinco derrames cerebrais e, devido a doença de chagas no intestino, usa bolsa de colostomia. Além dele, uma filha de 30 anos também usa a bolsa, desde agosto do ano passado quando teve diagnosticado câncer no intestino. A mãe, Maria Margarida Marques, 56 anos, tem úlcera varicosa na perna esquerda, com feridas que exigem limpeza constantes. Outros dois filhos do aposentado, com 22 e 25 anos, estão desempregados. Albertino cuida ainda de duas netas com 14 e 15 anos, que são órfãs.
Segundo o advogado Carlos Fernandes da Veiga, o fornecimento de água na casa do aposentado está garantido desde agosto do ano passado, graças a um agravo de instrumento expedido pelo Tribunal de Alçada, em Curitiba. Com o corte de água, na semana passada, o advogado entrou com uma ação de indenização por danos morais contra a Sanepar, além do pedido de prisão do gerente metropolitano Oscar Alberto Coutinho Fernandes. O religamento da água, segundo o advogado, não derruba a ação indenizatória.
Segundo informações da 7 Vara Cívil, onde corre a ação, uma audiência foi marcada marcada para o mês de agosto. Até lá, o Sanepar deve manter o fornecimento de água.
O gerente da Sanepar disse que o consumo de água da família caracteriza vazamentos nos canos. Ele disse que enviará uma equipe para avaliar a situação e realizar os consertos que forem necessários.

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