Alunos de quarta e oitava séries do ensino fundamental dos colégios estaduais Newton Guimarães, Aplicação e Hugo Simas conseguiram liminares na Justiça para permanecerem nas escolas no ano que vem. Por causa do georreferenciamento proposto pelo governo estadual, os estudantes teriam de ser transferidos para colégios mais próximos de suas residências. A decisão do juiz da Vara da Infância e da Juventude de Londrina foi anunciada na última sexta-feira.
  Segundo o advogado Vilson Machado, representante dos mais de cem estudantes que entraram com a ação, a decisão saiu no mesmo dia em que terminaria o prazo para a matrícula dos alunos nas escolas designadas pelo Núcleo Regional de Educação. Estudantes do Caic da Zona Sul ainda aguardam a liminar.
  ‘‘Depois do resultado positivo, pais de alunos dos colégios estaduais Marcelino Champagnat, Ieel, Vicente Rijo e Barão do Rio Branco, que moram próximos das escolas, também resolveram entrar com ações na Justiça’’, contou Machado.
  A idéia do advogado é mobilizar a comunidade escolar no início do próximo ano para elaborar um documento que será entregue ao Conselho Estadual de Educação, com uma nova proposição à Secretaria de Educação do Paraná. ‘‘Apoiamos o georreferenciamento, mas queremos que seja aplicado de forma gradual. Do jeito que está sendo feito, teremos problemas até 2013, pois todo ano algum pai vai acionar a Justiça’’, opinou. Ele ressaltou que alguns colégios não estão entregando o documento de abdicação da vaga para os pais, que estão com dificuldade em rematricular o aluno na escola de origem. ‘‘Quem estuda no mesmo colégio desde o início da vida escolar tem ‘‘direito adquirido à vaga’’, garantiu o advogado.
  É o caso da comerciária Luceni Aparecida da Silveira Rigo, que já recebeu o documento de abdicação da Escola Estadual João Sampaio e rematriculou o filho Gabriel Angelo Rigo, de 14 anos, no Colégio Estadual Hugo Simas, onde ele cursará o primeiro ano do ensino médio em 2008. ‘‘Pelo georreferenciamento ele teria que ir para o João Sampaio, mas não tem ônibus e a pé é muito perigoso.’’ A escola mais próxima da casa da comerciária, que mora no Jardim Ideal, na Zona Leste, é a Escola Estadual Professora Celia Moraes de Oliveira, que só oferece o ensino médio no período noturno.
  Luceni encabeçou a lista de pais do Hugo Simas que procuraram o advogado Vilson Machado para tentar uma solução judicial para o problema este ano. ‘‘Estou desde julho lutando para angariar pais, fazendo cópias de panfletos com dinheiro próprio, entregando nas escolas. A liminar foi uma vitória’’, definiu a comerciária.
  Luceni classificou a medida do governo como uma ‘‘invasão de privacidade’’. ‘‘Deveríamos ter o direito de escolher uma escola melhor para nossos filhos, para que eles concorram de igual para igual quando forem prestar vestibular.’’

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