Limiar é descredenciada por comissão judiciária de adoção
James Alberti e
Luciana Pombo
De Curitiba
A Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja) descredenciou temporariamente ontem a Limiar, entidade norte-americana acusada de cobrar US$ 5,5 mil para intermediar adoção de criança brasileira para casas dos Estados Unidos. A empresa divulgava as crianças, a maioria do Paraná, numa página da Internet, conforme denunciou a Folha de São Paulo no domingo passado. Após uma reunião, realizada ontem no Tribunal de Justiça, em Curitiba, integrantes da Ceja decidiram que a Limiar só poderá fazer novas adoções após ser inocentada das acusações.
O vice-presidente da Ceja, desembargador Moacir Guimarães, afirmou que os diretores da entidade poderão ser responsabilizados criminalmente caso fique comprovado que a Limiar obtinha vantagens financeiras com as doações. No entanto, ele disse que a Ceja sairia perdendo se uma entidade boa fosse descredenciada.
Ontem a gerente administrativa da Limiar, Emmy Caroline Andersen, prestou depoimento sobre as acusações de comercialização das crianças no Sicride. Emmy Andersen disse que as denúncias são infundadas. Temos muitas empresas no País que atuam com a intermediação de adoções e que pedem uma ajuda de custo, afirmou.
Segundo ela, as famílias norte-americanas que adotavam crianças brasileiras recebiam a sugestão do valor a ser pago para cobrir despesas com o escritório da Limiar em São Paulo. Emmy afirmou que o escritório tem intérprete, psicóloga e assistente social. Além do salário dos funcionários e os custos com os encargos, a Limiar paga ainda o aluguel da sede paulista e as despesas de dois representantes um em Curitiba e outro no Recife (PE). As famílias não são obrigadas a contribuir. Temos depoimentos gravados de famílias que não deram nada e mesmo assim conseguiram adotar crianças brasileiras, alegou.
O representante em Curitiba, Audelino de Souza, também foi ouvido oficialmente ontem. Ele confirmou o pedido de doação para as famílias norte-americanas. Não era uma taxa, era um pedido de doação, declarou. Souza já havia sido ouvido informalmente anteontem, quando afirmou que a Limiar atuava há seis anos no Paraná e teria intermediado a adoção de 80 crianças. No Brasil, a entidade atua há 16 anos e já intermediou mais de mil adoções.
Emmy Andersen falou ainda que as fitas de vídeo, com imagens de crianças brasileiras para adoção, foram elaboradas com a autorização do judiciário. Tenho tudo por escrito. Não fiz nada que fosse ilegal, afirmou. As fitas eram encaminhadas, de acordo com ela, para casais interessados e contavam com imagens apenas de crianças deficientes ou com mais de 12 anos.





