A Região Metropolitana de Curitiba tem cerca de cinco mil ligações elétricas clandestinas, os chamados ‘‘gatos’’, segundo afirmou ontem o engenheiro Humberto Sanches Netto, superintendente regional do Distrito Leste da Copel, que engloba a RMC e o litoral do Estado. Os ‘‘gatos’’ estariam em 48 loteamentos irregulares, quase todos em áreas de invasão. Segundo Sanches, o prejuízo para a empresa é ‘‘insignificante se comparado com o perigo a que estão expostos os moradores.’’
Segundo o engenheiro, 2.700 das ligações clandestinas estão em Curitiba, em 27 áreas, a maioria delas em áreas de invasão. Os outros 2.300 ‘‘gatos’’ estão em 21 áreas da Região Metropolitana. Todas elas, conforme Netto, foram invadidas e estão em locais de preservação permanente. Por causa disso, a Copel seria impedida, até judicialmente, de regularizar as instalações.
O problema mais grave está no município de Piraquara, onde está a maioria das ligações irregulares da Região Metropolitana. A Copel não pode regularizar os ‘‘gatos’’ porque os moradores estariam em terrenos sob litígio, segundo informou Netto.
Conforme o engenheiro, os funcionários da Copel são impedidos pela própria população de desfazer os ‘‘gatos’’. ‘‘Eles são ameaçados de morte’’, afirmou. Para economizar o aluguel, os moradores acabam pondo em risco a vida de muitas famílias. O sub-tenente do Corpo de Bombeiros, Dorival Conceição, faz eco às preocupações do engenheiro da Copel. Embora não tenha o índice de atendimentos relacionados aos ‘‘gatos’’, ele disse que o perigo de incêndios e choques elétricos é muito grande.
Um exemplo trágico foi a morte do pedreiro Aldebran Pedroso, 23 anos, ocorrida no ano passado. Pedroso morreu eletrocutado na cerca de arame de sua casa, na Vila Nossa Senhora de Fátima, no bairro Abranches, local onde a maioria absoluta das 104 casas têm ligações clandestinas, conforme mostrou a Folha ontem. À época da morte do pedreiro, vizinhos disseram à polícia que havia fios de uma ligação clandestina junto aos arames da cerca.

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