Ligação com violência é evidenciada em pesquisa
A antropóloga Alba Zaluar, coordenadora do Núcleo de Pesquisas das Violências da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), trouxe para o seminário promovido pela Associação Médica dados de duas pesquisas diretamente ligadas ao tráfico na capital carioca. Ela falou da relação estreita entre drogas e violência. Os estudos mostraram que a taxa de homicídios no Rio triplicou na década de 80, a partir da militarização do tráfico.
Todos os nossos informantes mencionaram a existência de corrupção na polícia. Trata-se de um jogo sinistro, onde os policiais só invadem as bocas-de-fumo de vez em quando, com o objetivo de aumentar o preço do arrego (dinheiro recebido pela polícia para permitir que o ponto de venda continue funcionando).
Alba Zaluar também citou o tráfico de influências existente dentro do crime organizado que instituiu, segundo ela, um complexo militar do narcotráfico. A rede é formada por pessoas influentes como empresários e grandes fazendeiros, que facilitam a entrada de armas e drogas no País. O fenômeno é mundial, resultante da globalização.
Os dados levantados pelas pesquisas da UERJ também mostraram que aqueles que ocupam o topo da hierarquia do tráfico raramente são presos e condenados. A conclusão bate com dados de outro estudo, feito pelo Ilanud, braço da Organização das Nações Unidas (ONU) que trata de criminalidade e está investigando o tráfico de drogas no Brasil.
A pesquisa definiu três tipos de traficantes: os microtraficantes, com idades entre 16 e 27 anos; os pequenos traficantes, entre 20 e 50 anos; e os médios traficantes, que são os com mais de 30 anos e chegam a lucrar 500% em cada negócio. Não foram encontrados boletins de ocorrência envolvendo os grandes traficantes.
Para Alba Zaluar, a política adotada no País é equivocada, e leva a população diretamente ligada ao narcotráfico a conviver com um enorme e assustador desprezo pela vida humana. Os usuários também são vítimas, e não os culpados por esta situação. São pessoas que estão em um enorme desamparo e, por algum motivo, desenvolveram a compulsão e não conseguem largar o vício, embora saibam dos problemas gerados por ele. São pessoas que precisam de ajuda. (S. L.)





