Liga Ambiental quer prisão de secretário
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terça-feira, 04 de dezembro de 2001
Denise Angelo<br>De Ponta Grossa 
O presidente da Liga Ambiental do Paraná, José Álvaro Carneiro, pretende mover uma ação pedindo a prisão do secretário estadual de Meio Ambiente, José Andreguetto. O motivo do pedido, alega o ambientalista, é o descaso do governo com o Parque Estadual de Vila Velha, que fica em Ponta Grossa.
Em setembro de 2000, o IAP e a secretaria estadual apresentaram um plano de manejo para o parque. Entre as mudanças previstas estava a criação do Conselho Gestor, formado por representantes da sociedade civil organizada. Esse conselho foi implantado, mas, segundo Carneiro, é um conselho de dramaturgia. ''Encenamos uma série de coisas, mas na prática nada é feito'', alega.
Numa das primeiras reuniões foram eleitas as necessidades urgentes do parque. Entre elas a contratação de uma consultoria para fazer um plano de controle a incêndios, seguido da compra de equipamentos. ''Mas as urgências ficaram só no papel'', diz Carneiro. Mesmo obras simples, como a construção de cerca, ainda não foi executada. ''Nosso pedido chega a ser esdrúxulo, mas diante do tamanho descaso que estamos vivendo não vemos outra alternativa. Temos uma sentença judicial que não é cumprida, promessas que não saem do papel e muito discurso'', diz Carneiro.
A sentença a que ele se refere saiu em 1993 e é consequência de uma ação movida em 1978. Nela a Justiça determina que sejam demolidas as construções feitas no parque depois de 73 (lanchonetes, piscina e o elevador de Furnas) e que a paisagem natural seja recomposta. A Secretaria de Meio Ambiente tenta um acordo com os ambientalistas sobre a execução da sentença, porque entende que retirar algumas obras causaria mais impacto do que mantê-las.
Carneiro alega ainda que em todas as reuniões do conselho tem alertado sobre a necessidade de interditar parte do parque onde estão os andorinhões, aves ameaçadas de extinção, que são molestadas pelos visitantes. ''Mas quando eu falo no assunto viro motivo de escárnio'', considera.
O secretário José Andregetto admitiu que há um atraso de um mês e meio na execução das obras, mas alega que esse atraso se deve ao impasse sobre a execução da sentença dada pelo Judiciário em 1993. Segundo ele, independente de haver um acordo sobre a execução da sentença, em janeiro essas obras e projetos serão licitados. No total, elas representam investimento de R$ 3 milhões no parque. Andreguetto disse ainda que procurou a Liga ontem mesmo para explicar a situação. ''Espero que eles adiem a decisão de mover uma nova ação'', declarou.


