Liga, agora, só atende maiores de 14
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de outubro de 1997
Célia Baroni Londrina 
A Liga dos Engraxates Mirins de Londrina está reformulando o trabalho de assistência aos menores. O tesoureiro da entidade, Izaias Bittencourt Moraes, explica que, com o Estatuto do Menor e do Adolescente proibindo menores de 14 anos de trabalhar, a Liga precisou rever seu sistema de trabalho. Dos 86 menores atendidos no início do ano, apenas 16 puderam continuar. Os demais tiveram de ser desligados porque eram menores de 14 anos.
O perfil do adolescente com mais de 14 anos é diferente. Eles precisam de um acompanhamento diferenciado porque, na maioria das vezes, já estão na rua, esclarece. A organização dos adolescentes por bairro, em grupos de no máximo 10 pessoas, e o envolvimento das lideranças do bairro no trabalho de acompanhamento estão entre as principais mudanças. Anteriormente, a entidade atendia menores de todas as regiões da Cidade e o acompanhamento era feito apenas por voluntários da comunidade da Catedral e centralizado na liga.
A entidade vai dar atenção especial à família desses adolescentes. Casais voluntários da Pastoral da Família estarão ajudando a entidade no trabalho de assistência, com visitas e orientações às famílias. As reuniões semanais que sempre aconteciam aos domingos - dedicadas a palestras e integração dos menores com os familiares - não serão mais só na Catedral. Duas vezes por mês as reuniões vão acontecer no bairro das famílias.
Nosso objetivo é ajudar estes jovens a restabelecer os laços com a sua comunidade para que o meio onde vivem sirva de estímulo, afirma Moraes. A Liga está ainda tentando assinar convênio com a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e conseguir estagiários de Psicologia e de Ação Social. Moraes acrescenta que a entidade está ainda preocupada em buscar a profissionalização dos menores atendidos. A meta é que os próprios adolescentes descubram sua aptidão profissional.
A entidade pretende fazer um perfil de cada menor e buscar cursos profissionalizantes através de convênio com o Sesi. Atualmente, a Liga oferece curso de datilografia e curso de computação - 16 vagas cedidas pela empresa Microcamp. A estrutura básica do atendimento, porém, continua a mesma. Os adolescentes que integrarem a Liga vão trabalhar meio período, no horário alternativo ao da escola, como engraxates. O ganho com o serviço, que gira em torno de um salário mínimo por mês, fica com o menor.
A Liga fornece o uniforme, faz o acompanhamento diário e oferece uma refeição por dia. Os menores contam ainda com um programa de reforço escolar. Em contrapartida, os jovens têm de continuar na escola e assumem o compromisso de participar das palestras e encontros promovidos pela entidade.
Moraes explica que o objetivo da Liga é preparar e colocar esses jovens em empresas da Cidade. Só este ano, diz, oito meninos da Liga conseguiram emprego. Hoje a Liga já conta com 33 menores, com dois grupos formados por adolescentes dos jardins União da Vitória e Franciscato (ambos na zona sul). Mas sua capacidade de atendimento atual é para 45 pessoas. Temos condições de atender pelo menos mais um ou dois bairros da cidade, diz Moraes. Criada em 1966, a entidade tem o apoio da Arquidiocese, sua principal mantenedora, e depende de convênios com empresas.


