Marcos NegriniDelfino Becker está entre os sem-terra presos em Paranavaí Os líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) da região de Querência do Norte (113 quilômetros de Paranavaí), Delfino Becker e Celso Anguinhoni devem ser libertados segunda-feira. O pedido de relaxamento das prisões foi feito ontem pela Rede Autônoma de Advogados Populares do Paraná à juíza de Loanda, Elizabeth Khater.
Os dois só não foram libertados ontem porque a juíza exigiu uma procuração dos sem-terra para que a Rede de Advogados os representassem. Eles continuam presos na cadeia de Paranavaí.
No pedido, os advogados também solicitaram a suspensão da prisão preventiva de outros três líderes sem-terra na região, Pedro Alves Cabral, Arlei Escher e Juscelino Antonio José Gonçalves. A prisão preventiva dos cinco líderes foi decretada pela juíza de Loanda a pedido do delegado de Querência do Norte, Sérgio Bradock. Becker e Anguinhoni foram presos na última quarta-feira e levados para a delegacia de Paranavaí.
A prisão dos dois líderes revoltou os sem-terra da região. Membros de outros acampamentos reforçaram a manifestação no Noroeste. Anteontem, cerca de 300 trabalhadores sem-terra permaneceram reunidos em protesto contra a prisão. O clima em Querência do Norte ficou tenso e cerca de 80 policiais militares de diversos batalhões fizeram a segurança da delegacia da cidade.
Anteontem à noite, deputados da bancada do PT na Assembléia Legislativa, o coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Zenildo Megiato, e o chefe da Promotoria de Garantias Constitucionais do Paraná, Marcos Fawler visitaram os dois líderes presos em Paranavaí e estiveram na sede do MST em Querência do Norte, reunidos com os trabalhadores. O grupo também participou de uma audiência com a juíza de Loanda e com o delegado de Querência do Norte.
De acordo com o advogado Marino Gonçalvez que integra a Rede Autônoma de Advogados Populares do Paraná, o relaxamento da prisão de Becker e Anguinhoni e a suspensão do pedido de prisão preventiva dos outros três líderes ‘‘é o primeiro passo para que se possa conduzir uma negociação entre o MST, Governo do Estado e Incra, de forma serena’’.

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