Líderes são ameaçados de morte
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de julho de 1997
Edna Mendes Guarapuava 
Lideranças do acampamento dos sem-terra da Fazenda Pinhal Ralo, em Rio Bonito do Iguaçu (125 quilômetros a oeste de Guarapuava), denunciam que estão sendo ameaçadas de morte pelo também líder de parte dos sem-terra, Antônio Barbosa, conhecido como Preto.
Os líderes do acampamento registraram queixa na delegacia de Laranjeiras do Sul. O padre Afonso das Chagas, da Pastoral da Terra, também está sendo ameaçado. Segundo os líderes, Preto estaria sob o comando do ex-prefeito Sezar Bovino.
Segundo o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST) na região, Jaime Callegari, Preto foi expulso do acampamento por comportamento duvidoso e com isso os sem-terra ficaram divididos em dois grupos. Depois da divisão, começaram as ameaças, disse Callegari. A preocupação maior é com a vida do padre Afonso. Ele percorre a região sozinho, sem nenhuma proteção.
O MST enviou carta ao secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, pedindo providências urgentes. Callegari disse que a divisão gerou um clima de tensão no acampamento e que as lideranças temem que possa haver conflito.
O ex-prefeito de Rio Bonito do Iguaçu, Sezar Bovino, disse que não está ameaçando ninguém através de Preto. Na verdade sou que estou sendo ameaçado através de telefonemas e cartas anônimas. Ligam para minha casa dizendo as cores do meu caixão e da minha cruz, coisas desse tipo, se defende.
Segundo Bovino, em sua gestão havia muitas reivindicações de um grupo de sem-terra contra o outro grupo.Me pediam para suspender alimentação, assitência médica, medicamentos e escola de um dos grupos. Nunca atendi essas reivindicações absurdas.
Segunda-feira um grupo de 300 sem-terra sairá de Nova Laranjeiras e seguirá a pé até Quedas do Iguaçu, na sede Giacomet-Marodin, proprietária das terras da Pinhal Ralo. O gupo pretende pressionar a empresa a ceder mais terras para desapropriação.
A caminhada está prevista para durar três dias. Devem participar cerca de 3 mil sem-terra. Se a empresa não atender a reivindicação os sem-terra prometem ocupar o restante da fazenda.


