Na apuração do roubo de 254 sacas de café da Fazenda São José, em São Pedro do Paraná, a polícia ouviu o sem-terra Altair Baseggio, 24 anos, preso com um cheque do comerciante Aparecido Dias Motta. Nos depoimentos prestados na delegacia de São Pedro do Paraná e no Fórum de Loanda, Baseggio revelou que o roubo da carga de café foi praticado pelos sem-terra por orientação dos coordenadores do acampamento Luiz Clério e José Broto, e dos líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na região.
Baseggio também disse que o restante da carga estaria na Cooperativa do MST, em Querência do Norte (113 quilômetros de Paranavaí). Sobre o roubo dos dois tratores, ele também denunciou a liderança do MST. Conforme Baseggio, os líderes do movimento Pedro Álvares Cabral, Delfino Becker e um homem indentificado por Bráulio teriam sido os responsáveis. Bráulio, conforme a PM de Paranavaí, trata-se de Paulo de Marqui, um dos coordenadores do MST na região de Querência do Norte.
Ainda conforme Baseggio, o líder do MST, Delfino Becker teria ordenado o arrombamento da casa da sede da fazenda São José para o roubo de aparelhos eletrônicos. Da casa, conforme Cersi, foram roubados uma TV, um videocassete e um aparelho de som.
Becker se defende das acusações. Ele admite que esteve na fazenda no dia da desocupação para coordenar a retirada das famílias. ‘‘Fui até a rádio da cidade e disse que a desocupação seria pacífica. Não mandei ninguém roubar café e muito menos a sede da fazenda. Se isso aconteceu foi por iniciativa dos acampados’’, garantiu. Ele também negou qualquer participação no roubo dos tratores e disse não conhecer o sem-terra Altair Baseggio. ‘‘Estas famílias que estão na fazenda Boa Sorte vieram para cá por orientação do Incra de Cascavel que prometeu uma área para elas’’.
Quando indagado pela Folha sobre as denúncias feitas por Baseggio, Becker disse que o sem-terra pode ter feito as declarações por ‘‘falta de cultura e educação’’. ‘‘As pessoas que estão nos acampamentos são marginalizadas. São pessoas que, por falta de cultura e educação, e diante das dificuldades, ficam fragilizadas e acabam fazendo de tudo para voltar para a cidade de origem’’.
Conforme Becker, o MST de Querência do Norte não está radicalizando e não promoveu o roubo de café da Fazenda São José. Ele negou que as 59 sacas de café que ainda não foram localizadas pela polícia estejam na cooperativa. Na Secretaria do MST, em Curitiba, ninguém quis comentar sobre as denúncias.

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