Silvana Leão
De Londrina
Representantes da sociedade civil organizada e dos veículos de comunicação repudiaram, ontem, as afirmações feitas pelo delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, João Ricardo Noronha. Em depoimento à imprensa, Noronha disse no final da tarde de anteontem que viria a Londrina no próximo dia 17 para acabar com a campanha ‘‘Londrina exige o fim da violência’’, lançada há pouco mais de um mês. A declaração foi feita durante anúncio do delegado-chefe da PC, do envio de cinco viaturas, novos armamentos e 12 policiais civis para a cidade.
‘‘Ele (Noronha) não pode dizer que vai acabar com uma campanha que não é dele, não é do governo do Estado. A campanha é da sociedade civil organizada de Londrina’’, disse ontem o presidente da subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Lauro Zanetti. ‘‘O delegado-geral da Polícia Civil está se indispondo contra a sociedade organizada e os meios de comunicação. É uma agressão contra toda a sociedade’’, acrescentou.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi, também afirmou estar indignado com a posição de Noronha. ‘‘Ele (Noronha) não tem como neutralizar uma campanha que representa, de fato, uma cidade toda mobilizada.’’
Valter Orsi reafirmou que a campanha contra a violência não deverá acabar até que todas as reinvidicações da sociedade sejam atendidas. ‘‘Há muito tempo vínhamos pedindo mais segurança para a cidade e não éramos atendidos pelo governo.’’
O delegado-geral disse também que a campanha deflagrada em Londrina está ‘‘aumentando a intranquilidade da população’’. E que o envio de policiais, armas e viaturas poria fim ao movimento. O presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Newton Moratto, retrucou. ‘‘A campanha não se resume a 12 policiais e quatro ou cinco viaturas, que nem sabemos se virão de fato. Nosso trabalho é muito mais amplo, visa despertar na população a conscientização sobre os problemas e causas que geram a violência.’’
Para Moratto, a campanha está gerando intranquilidade sim, mas entre as autoridades, e este é um sinal que a iniciativa está surtindo efeitos. ‘‘Porém nós queremos muito mais, este foi apenas um bom começo’’, afirmou. Uma das reinvidicações da campanha feitas nos cartazes espalhados pela cidade e propagandas divulgadas por veículos de comunicação é a conclusão da Cadeia Pública de Londrina.
Newton Moratto acredita que a decisão de trazer mais viaturas, policiais e armamentos para a cidade foi motivada pela forma como a campanha vem sendo conduzida. ‘‘Se a campanha não tivesse sido iniciada com tanta força e o apoio de tanta gente, talvez nem isso tivéssemos conseguido. Percebemos que a única forma de atingirmos nossos objetivos é fazendo pressão.’’
A campanha ‘‘Londrina exige o fim da violência’’ nasceu como resultado de várias reuniões feitas por representantes da sociedade civil organizada e dos meios de comunicação de Londrina.
Nessa fase, os representantes decidiram que os encaminhamentos da campanha não seriam divulgados, pois o objetivo era de lançá-la somente quando as estratégias de ação estivessem definidas.
Também durante os preparativos foram elaborados os cartazes, os adesivos, as peças de rádio e de TV da campanha. A primeira fase da campanha, pelo período de 30 dias, foi visando a ampla divulgação do material informativo com os objetivos básicos do movimento: a conclusão da Cadeia Pública e o aumento do efetivo policial.
Há duas semanas foi iniciada a segunda fase, que prevê contatos com o governo para exigir providências e outras atividades. A campanha promoveu inclusive um pedágio de conscientização, quando equipes ocuparam pontos estratégicos do trânsito para colar adesivos em carros.Delegado-geral da Polícia Civil do PR disse que virá a Londrina para acabar com campanha deflagrada pela sociedade civil
DivulgaçãoCARTAZO cartaz da campanha ‘‘Londrina exige o fim da violência’’, lançada pela sociedade civil organizada de Londrina e veículos de comunicação da cidadeFotos Arquivo FolhaLauro Zanetti, da OAB: ‘‘O delegado-geral da Polícia Civil está se indispondo contra a sociedade organizada e os meios de comunicação’’Valter Orsi, da Acil: ‘‘Ele (Noronha) não tem como neutralizar uma campanha que representa, de fato, uma cidade toda mobilizada’’Newton Moratto, do Conselho de Segurança: ‘‘Percebemos que a única forma de atingirmos nossos objetivos é fazendo pressão’’

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