Líderes protestarão contra fechamento de maternidade
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de setembro de 2001
Célia Guerra 
Lideranças comunitárias e da área de saúde de Londrina farão no próximo sábado, pela manhã, um ato público em frente à Santa Casa (centro da cidade) em protesto contra o fechamento da maternidade. A manifestação foi marcada anteontem à noite, durante uma reunião na APP/Sindicato. Uma comissão formada pelas lideranças irá conhecer as obras de reforma no prédio. Para o dia 24 de setembro já está marcada uma audiência pública, na Câmara de Vereadores, para debater o assunto.
Ontem, o secretário de Saúde de Londrina, Silvio Fernandes, enviou para o Ministério Público (MP) a resposta sobre a avaliação técnica das necessidades do município e região pela reabertura da unidade. O pedido para que a secretaria explicasse a transferência da maternidade para o Hospital Infantil (HI), que também é administrado pela Irmandade da Santa Casa, partiu, na semana passada, da Promotoria de Direitos e Garantias Constitucionais.
Fernandes voltou a afirmar que espera a reabertura da maternidade da Santa Casa o mais rápido possível. Segundo ele, a intenção é que o hospital seja referência em gestação de risco com o suporte de uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal. Por isso, há a recomendação da prefeitura de que o serviço seja deslocado para o HI. O município, como adiantou, não quer entrar no cálculo do número de leitos que poderiam ser disponibilizados, pois entende que isso é competência da direção do hospital.
Na semana passada, o diretor-técnico da Santa Casa, Sérgio Canavese, admitiu ao MP que o Hospital Infantil deverá sofrer algumas adequações e que seriam disponibilizados três leitos para esse tipo de atendimento.
Sobre o que poderia ser feito com o espaço ocupado pela maternidade na Santa Casa, Fernandes também não quis opinar. Ele lembrou que cabe ao município o credenciamento de serviços pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de acordo com as necessidades do Sistema. Assim, se a Santa Casa quiser abrir serviços que não sejam do interesse da comunidade, ela ''não será credenciada''. Fernandes destacou a permanente necessidade de serviços de pronto-socorro e de tratamento intensivo.
O promotor Paulo Tavares, dos Direitos e Garantias Constitucionais, ainda não havia recebido, ontem pela manhã, a resposta da prefeitura. Ele garantiu que só se pronunciará após o posicionamento do município, que tem o controle da demanda e da oferta de leitos. O MP, segundo ele, ''não se move pelo tradicionalismo, mas pelo interesse social''.
A afirmação de Tavares é uma resposta ao grupo de obstetras que se manifestou contrário ao fechamento da maternidade. Os médicos acionaram a Promotoria de Defesa do Consumidor para impedir a desativação da unidade, responsável por cerca de 80 partos por mês. A maternidade, como informam os médicos, funcionou ininterruptamente durante 58 anos.


