Vários líderes que saíram de Londrina para alcançar sucesso na carreira política no Paraná - entre eles os ex-governadores José Richa e Álvaro Dias - iniciaram a ‘militância’ como estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Três destes ex-líderes do movimento estudantil que obtiveram, recentemente, vitórias nas urnas têm muito em comum: eles fizeram o mesmo curso - Medicina -, casaram-se com mulheres também formadas na área médica e foram prefeitos de cidades vizinhas no mesmo período, entre 1993 e 1996.
Vindo do interior de São Paulo, Luiz Eduardo Cheida estudou na UEL de 1974 a 1980, especializando-se depois em gastroenterologia. Naquele período, ele foi presidente do Diretório dos Estudantes de Medicina por dois anos. ‘‘Foi uma experiência muito importante, que mudou a minha vida. Antes, jamais havia pensado em entrar em um partido político e muito menos em seguir esta carreira’’, conta Cheida.
Em 1991, Cheida mudou-se para o PT. Em 1988, elegeu-se o vereador mais votado de Londrina. Em 1992, foi eleito prefeito. ‘‘Militar no movimento estudantil foi vital para mim. Foi nele e em consequência dele que decidi entrar para a política partidária’’, afirma Cheida, que é casado com a enfermeira Marta Lúcia Carvalho e candidato a deputado federal em outubro.
Gilberto Martin cursou Medicina de 1976 a 1983, período em que desempenhou diversas funções no movimento estudantil, entre eles a de diretor de patrimônio do Diretório Acadêmico do curso da UEL e o de diretor da área de saúde da União Nacional dos Estudantes (UNE), que ajudou a recriar durante congresso realizado em Salvador (BA) em 1979. Formado, Martin especializou-se em Saúde Pública e teve como primeiro emprego o de secretário de Saúde do município de Cambé (13 km a oeste de Londrina). ‘‘O movimento estudantil mudou a minha visão de mundo e me mostrou a necessidade da participação política’’.
Ele entrou para o oposicionista MDB em 1977. Em 1992, ele elegeu-se prefeito de Cambé pelo PMDB, nova sigla do antigo MDB. ‘‘O movimento estudantil teve influência concreta na minha decisão pela militância político-partidária como instrumento de luta pela democracia, pela constituinte, pela anistia. Hoje, estas bandeiras parecem banais, mas no final da década 70 e início de 80 elas eram objetivos importantes e difíceis de serem alcançados’’, explica Martin, que casou-se com a médica dermatologista Lígia Márcia e neste ano é candidato a deputado estadual.
O médico ginecologista Dorival Martins de Souza Júnior (PMDB), casado com a psicóloga Márcia Virgínia Justo, foi vereador, de 1989 a 1991, e prefeito de Ibiporã (14 km a leste de Londrina), de 1993 a 1996.
Enquanto estudou na UEL, de 1975 a 1981, ele foi membro do Diretório Acadêmico de Medicina e representante do DCE junto ao Conselho Universitário e Conselho de Extensão e Pesquisa.
‘‘Nunca havia imaginado, antes de entrar na universidade, um dia seguir a carreira política e participar de eleições. Isto foi um consequência natural da militância estudantil, que me proporcionou conscientização política e me despertou sobre a importância da tomada de uma posição’’, diz Dorival de Souza, que nas próximas eleições não será candidato a nenhum cargo.

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