A violência urbana, com roubos, assaltos e crimes de morte, muitos deles hediondos, está preocupando a sociedade e autoridades de Cascavel, que exigem ampliação do efetivo policial e ações permanentes de combate à criminalidade. Chefes das polícias Civil e Militar participaram na noite de anteontem de reunião organizada pelo Conselho Comunitário de Segurança (Conseg), Associação Comercial e Industrial (Acic) e outras entidades para ouvir as preocupações. Mas os relatos que eles próprios fizeram aumentaram ainda mais a sensação de que a cidade está desguarnecida, por falta de efetivo.
A situação da Polícia Civil é ‘‘extremamente delicada’’, segundo o delegado-chefe da 15ª Subdivisão Policial (SDP), Osnildo Carneiro Lemos. O efetivo é hoje inferior ao do início dos anos 80. Há 15 anos, quando o próprio Osnildo chefiou a subdivisão pela primeira vez, Cascavel tinha 120 mil habitantes e havia 70 detentos no Minipresídio, 12 escrivães e 24 investigadores. Hoje, são 250 mil habitantes e 300 presos, e há apenas sete escrivães e 24 investigadores.
Segundo Osnildo, há necessidade de pelo menos 20 escrivães e 80 investigadores. ‘‘A investigação está comprometida, inquéritos ficam acumulados, e o resultado é a expressiva queda de qualidade no serviço’’, reconhece. As delegacias de Combate ao Tóxico e da Criança e do Adolescente, criadas respectivamente em 95 e 96, até hoje não foram instaladas. A da Mulher só tem a delegada (não há escrivã nem investigadora); no 1º Distrito não há escrivão e no 2º o que havia acaba de se aposentar. A criação de dois novos distritos está ‘‘engavetada’’.
O 6º Batalhão de Polícia Militar (BPM) tinha 1.020 homens quando foi criado, em 81, e hoje são apenas 620, segundo relato feito pelo capitão Oscar Monteiro. O prefeito Salazar Barreiros (PPB) já transmitiu a preocupação com a situação dos organismos policiais à Secretaria de Segurança Pública, na expectativa de que a cidade ‘‘tenha tratamento à altura de sua importância política e econômica’’. Segundo José Filippon e Marcelo Nowacki, presidentes respectivamente da Acic e do Conseg, ‘‘a hora é de partir para a ofensiva’’, por isso, caso não haja ampliação do efetivo, lideranças locais ‘‘acamparão em frente ao Palácio Iguaçu’’.

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