James Alberti
De Curitiba
A presença de membros do MST e religiosos dificultou o trabalho dos operários da limpeza pública, que interromperam os trabalhos às 7h30, porque um dos presentes alegou que havia pertences dos sem-terra dentro dos barracos. Eram roupas, alimentos, móveis, agasalhos, calçados e material escolar. Onélia Passaroti, da Central dos Movimentos Populares, recolheu as pastas contendo cadernos e apostilas. ‘‘Vou guardar, talvez encontre os estudantes’’.
Andando entre os destroços, Onélia defrontou-se com um grupo de policiais e fez o mesmo gesto que um sem-terra já tinha feito, oferecer pão e alface produzidos no acampamento a eles. ‘‘Por favor, pegue um pedaço’’, disse. ‘‘Dê a quem precisa’’, respondeu um dos soldados. Uma religiosa, que distribuía medalhas de Nossa Senhora das Graças, numa ‘‘corrente de f钒, dividiu os pães entre os presentes. ‘‘Este é o pão da justiça. Quem comer não passará fome’’.
A essa altura, passando das 8 horas, boa parte do território anteriormente ocupado pelos sem-terra estava limpa. Mas ainda assim permanecia uma torre tosca, onde se lia: ‘‘Estamos aqui há 172 dias – MST 15 anos de luta’’.

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