Maringá

Marcos NegriniVolta à prisãoAnghinoni e Becker deixam o Fórum de Loanda acompanhados por policiais: depoimento nervosoOs líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) Delfino Becker e Celso Anghinoni prestaram depoimento ontem de manhã, no Fórum de Loanda (88 quilômetros de Paranavaí). Eles estão presos em Paranavaí desde o último dia 17, acusados de diversos crimes na região de Querência do Norte. Os dois chegaram a Loanda em uma viatura da Polícia Militar sob um forte esquema de segurança. Quatro policiais estavam com os sem-terra na viatura e mais seis ficaram espalhados pelo Fórum, durante os depoimentos.
A prisão preventiva dos dois foi pedida pelo ex-delegado de Querência do Norte, Mário Sérgio Bradock, e decretada pela juíza de Loanda, Elizabeth Khater. Becker e Anghinoni são acusados de crime de formação de quadrilha, esbúrio possessório (invasão de terra), crime de danos contra a Fazenda Água da Prata, furto qualificado e lesões corporais. A juíza Elizabeth Khater conduziu o interrogatório que durou uma hora.
Os líderes dos sem-terra negaram todas as acusações, inclusive de terem participado da invasão da Fazenda Água da Prata, no dia 13 de maio deste ano. Becker e Anghinoni prestaram depoimentos separadamente. Becker foi o primeiro a depor e durante todo o tempo demonstrou tranquilidade para responder as perguntas. Anghinoni também estava tranquilo e no final do depoimento disse à juíza que não compreendia o motivo de sua prisão.
Os depoimentos foram marcados pelo nervosismo da juíza Elizabeth Khater. No início do depoimento de Becker, ela se desentendeu com o advogado dos sem-terra, Nivaldo Possamai, e fez um ofício fazendo uma representação contra ele, que será encaminhada à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR). Elizabeth ficou irritada com a interferência de Possamai e citou o artigo 187 do Código do Processo Penal que determina que o interrogatório não deve ter a participação do Ministério Público e nem do advogado de defesa. Possamai se defendeu citando a lei 8.906/94 que prevê que o advogado pode usar a palavra pela ordem do interrogatório. Ele interferiu no depoimento para solicitar à juíza que ela exigisse as provas da inocência de Becker, já que ele negava todas as acusações.
Cada interrogatório durou cerca de 30 minutos. No final dos depoimentos Anghinoni e Becker voltaram para Paranavaí escoltados por diversos policiais. Até ontem à tarde, a juíza também não tinha dado parecer sobre o segundo pedido de relaxamento da prisão de Anghinoni e Becker feito na última sexta-feira. O primeiro pedido de relaxamento da prisão dos dois foi negado pela juíza. No novo pedido de liberdade dos líderes sem-terra, os advogados alegam que já não existe, na região de Querência do Norte, risco de conflito e desordem pública.
Pai de dois filhos, Celso Anghinoni é o que mais tem sentido dificuldade de adaptação na cadeia de Paranavaí. Ele já reclamou diversas vezes aos advogados de defesa de problemas de pressão alta. O MST chegou a mandar um médico para consultar Anghinoni na cadeia. Os líderes dos sem-terra disseram ontem, que a polícia não permitiu a entrada do médico na cela. O médico só teria conseguido conversar com Anghinoni. Outro problema enfrentado pelos presos, conforme o MST, é a falta de alimentos para todos os detentos de Paranavaí. No último domingo, durante o horário de visita, um grupo de sem-terra de Querência do Norte levou 300 quilos de arroz, 200 quilos de feijão, ovos, tomate e frango para a delegacia de Paranavaí.

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