Líderes denunciam MST e sindicatos
Os cinco sem-terra presos ontem pelo delegado de Bela Vista do Paraíso, Luiz Carlos Azevedo, denunciaram ter sido enganados pelo MST e pelos presidentes dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais da região sudoeste do Estado. Porfírio João Machado foi enfático ao afirmar que foram usados pelo movimento. Eles nos prometeram o paraíso. Disseram que teríamos terra dois meses após a ocupação e financiamento para plantio. Tudo mentira. Se soubesse que iria ser preso, continuaria como bóia-fria, desabafou.
O brasiguaio Laudelino Camargo informou que os presidentes dos Sindicatos e membros do MST garantiram que eles receberiam lote de terra caso entrassem no movimento. Vivi debaixo de lona. O MST dava ordens e nós cumpríamos. O problema é que eles nunca falaram a verdade e hoje recebo isso, reclamou.
Os sem-terra ficaram acampados cerca de quatro meses na Fazenda Ingá, em Alvorada do Sul, onde receberam instruções sobre as ocupações de terra, antes de entrar na Fazenda Nossa Senhora Aparecida. A denúncia foi formalizada nos depoimentos.
Sem saber o que iria acontecer, eles simplesmente esperavam ser liberados após os depoimentos. No final da manhã foram transferidos para o 3º Distrito Policial de Londrina e estão à disposição da Justiça. As enxadas, foices, facas e facões foram recolhidas por medida de segurança. O delegado Azevedo declarou que as ferramentas seriam entregues mais tarde para os sem-terra, por serem instrumentos de trabalho.
O dirigente do MST no norte do Estado, Josmar Choptian, não foi encontrado ontem para comentar a desocupação e as denúncias feitas pelos sem-terra. No escritório do MST em Londrina, disseram que ele estaria em Alvorada do Sul resolvendo o problema da prisão dos sem-terra. (Alexandre Sanches)





