Curitiba - Representantes da Sanepar, Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Coordenaria da Região Metropolitana (Comec), prefeituras de Curitiba, Pinhais, São José dos Pinhais e Colombo, e vereadores reuniram-se ontem na Câmara Municipal de Pinhais em busca de uma solução para as constantes enchentes em comunidades que vivem às margens do Rio Palmital. A reunião resultou da mobilização da comunidade ribeirinha que, depois da enchente da última sexta-feira, passou a pressionar as prefeituras e governo estadual para resolver o problema.
''O Rio Palmital não vence escoar a água quando há chuva forte, e acaba transbordando em áreas dos quatro municípios'', diz o assessor da Prefeitura de Pinhais, Jandir Nogueira. Segundo ele, em junho do ano passado, o município enviou pedido para que o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) expedisse licença permitindo que a Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa) fizesse a limpeza e dragagem do rio, mas não obteve resposta.
Este ano, depois de uma nova enchente em fevereiro, a prefeitura enviou outro pedido propondo que o município fizesse a dragagem, bastando o IAP agilizar o licenciamento. Após esse pedido, de acordo com a Suderhsa, os órgãos iniciaram estudos para verificar a viabilidade e os locais mais adequados para o desassoreamento do rio. Mas não há previsão ainda de quando as obras serão feitas.
Além de comunidades de baixa renda, como Vila Perneta e o loteamento Renato Bonilauri, as enchentes vêm afetando também áreas nobres, como um condomínio residencial da região. ''Minha casa foi inundada duas vezes nos últimos dias. No dia 7, fiquei com 40 centímetros de água dentro da casa toda'', reclama o corretor de imóveis Marcos Pires, cuja residência é a mais afetada com as cheias do rio.
''Com esta segunda inundação acabamos perdendo armários, aparelhos, portas, sofás. E tudo isso acontecendo num loteamento que é vendido como alto padrão'', diz Marcos Pires. A moradora Sibele Cristina Costa Curta Wilges também está preocupada. Por enquanto sua família vive em uma edícula nos fundos do terreno. Ela teme como será quando a família construir a casa definitiva na frente. ''A água chegou a atingir o portão'', diz.
Os responsáveis pelo complexo garantem que o empreendimento fez todos os procedimentos previstos pelos órgãos do meio ambiente, como o afastamento correto da beira do rio, aterro dos terrenos, lagoa de retenção. ''O problema é que não adianta limpar o rio só na nossa frente. É preciso tratar o rio como um todo'', disse um dos gerentes.

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