Líderes ameaçam com motins em série
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de outubro de 2000
Luciana Pombo De Piraquara 
O terceiro dia da rebelião na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, teve um dos momentos mais tensos desde o início do motim. No início da tarde de ontem, quando autoridades estaduais que comandam as negociações resolveram proibir a entrada da imprensa na guarita onde são feitas as reuniões diárias. Irritados, os presos pegaram dois dos sete reféns agentes penitenciários da unidade e colocaram pistolas na cabeça deles. Se invadirem eu mato ele (o refém) e me mato, gritou um dos rebelados.
Depois de alguns minutos de negociação, foi liberada a presença de duas emissoras de TV para acompanhar as negociações. Os presos solicitaram dois telefones celulares e a troca de dois dos reféns pelos chefes de segurança Lucio Olinder e Guaraci Brito. Eles alegaram que os seguranças conhecem melhor a situação dos internos e poderiam ser úteis nas negociações. Faço o que for preciso, declarou o chefe de segurança, após ouvir a exigência.
Os presos queriam ainda a garantia de que os cinco detentos que já haviam aceitado a transferência para outros Estados fossem acompanhados e escoltados com a cobertura da imprensa. Eles reclamavam ainda da falta de comida. Uma fera trancada, com fome, se torna muito perigosa, declarou um dos rebelados, em tom ameaçador.
O secretário de Segurança, José Tavares, garantiu a participação da imprensa na escolta dos detentos. Mas reafirmou a impossibilidade do governo em cooperar com qualquer tipo de fuga.
O Paraná está dominado. É melhor vocês se organizarem e começarem a cooperar. Qualquer movimento em falso, conseguimos estourar rebeliões em Maringá e Londrina. Temos gente lá também, disse Junior, um dos principais negociadores entre os detentos rebelados. Ninguém aqui quer o confronto entre os presos. Queremos que haja paz. Para isso, precisamos que vocês nos dêem alternativas, afirmou Carlos Maranhão, secretário interino da Justiça.
Os presos pediram para que o deputado federal Florisvaldo Fier (PT), o Doutor Rosinha, integrante da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, identificasse representantes dos direitos humanos nos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia para acompanhar a remoção dos internos que aceitaram a transferência.


