Lideranças vão relatar em encontro suas experiências
Quem procura agradecimentos e reconhecimento fácil não tem o perfil de um líder comunitário. O trabalho de um líder comunitário é basicamente o de administrar conflitos para viabilizar o trabalho conjunto e melhorar a qualidade de vida da comunidade, resume o técnico de laboratório e presidente do Conselho de Saúde da Região Sul (Consul) de Londrina, Edson Cunha, 36 anos.
Tem sempre alguém batendo na porta da gente para reclamar porque deixamos de fazer isto ou aquilo. Dificilmente as pessoas saem de suas casas para elogiar, reforça Edgar Campos de Souza, 32 anos, presidente da Associação de Moradores do Jardim União da Vitória (zona sul). Liderança comunitária também não combina com renda fácil. Cunha afirma que os líderes precisam manter seu trabalho para sobreviver e administrar todo o tempo disponível para atender a comunidade. Nesse processo quem sofre é a família que acaba quase abandonada, conta.
Eles estão entre os 100 líderes comunitários do Brasil e América Latina que vão se reunir em Londrina na semana que vem para participar do 4º Encontro Nacional de Lideranças Comunitárias dos Projetos UNI (ver matéria nesta página). Cunha conta que entrou no movimento comunitário há seis anos, a pedido de amigos. Diz que concordou porque queria ajudar a construir uma igreja católica no Conjunto Saltinho, onde mora. Sua proposta inicial era a de cumprir o mandato na associação de moradores e depois sair do movimento.
Paulo WolfgangParticipaçãoEdgar de Souza, da associação de moradores: Sem elogiosÉ sempre assim, você entra para apoiar amigos em quem acredita e não sai por medo que os inimigos botem o trabalho já realizado a perder. Tem muita gente que não tem compromisso com a comunidade querendo ser liderança só para se beneficiar politicamente e até financeiramente, analisa. Cunha acrescenta que entre os bons motivos que levam as pessoas a optar pelos trabalhos comunitários estão a indignação com as injustiças sociais e a consciência de que é preciso contribuir para melhorar as coisas.
O pedreiro Nelson Cardoso, 34 anos, cresceu junto com o movimento comunitário. Aos 12 anos já participava de reuniões entre os invasores do Jardim Edi (zona oeste) e a Cohab. Seu pai não sabia ler e escrever e levava o filho junto para ajudá-lo. Meu pai dizia que as pessoas estudavam só para poder enrolar melhor as mais simples, diz. Cardoso acrescenta que aprendeu cedo o significado do preconceito contra quem tem menos e mora em favelas. Percebi logo que o único jeito de conseguir melhorar era participando, resume.Paulo WolfgangMovimentoEdson Cunha, presidente do Consul: Administrar conflitosCélia Baroni





