Lideranças tentam negociação com governo
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sexta-feira, 19 de outubro de 2001
Célia Guerra<br> De Londrina 
Lideranças da comunidade vão tentar intermediar as negociações com o governo do Estado, para solucionar o impasse com a greve na Universidade Estadual de Londrina (UEL), que já dura mais de 30 dias. A decisão foi tomada anteontem à noite na audiência pública convocada pela UEL, Câmara, prefeitura e sindicatos das categorias da universidade.
Uma comissão está sendo formada pelo prefeito Nedson Micheleti (PT) e o presidente da Câmara, o vereador Tecílio Turini (PSDB), com representantes de entidades e das igrejas. O grupo deve se reunir na próxima semama com membros do governo. Ontem o prefeito iniciou os contatos em Curitiba para agendar a reunião. A comissão solicitará também a revisão do orçamento da UEL para 2002, porque o governo cortou o repasse de R$ 2,4 milhões que seriam utilizados no custeio da instituição.
Na audiência também foi aprovado um documento, a Carta de Londrina, na qual as entidades manifestam o apoio à UEL e solicitam do governo a apresentação de propostas concretas às reivindicações dos grevistas. O documento trata ainda da ameaça de corte no orçamento de 2002, que ''junto com a defasagem salarial inviabilizariam a continuidade da manutenção do padrão de qualidade alcançado''. A carta foi assinada por representantes de 37 entidades, como a Associação Médica, Igreja Católica, Associação Comercial e Industrial (Acil), clubes de serviços e associações de moradores. Outras entidades deverão assinar o documento até a próxima semama, quando deverá ser entregue ao governo.
Nedson entende que já se esgotaram os canais de negociação dos servidores com o governo, por isso há necessidade de se ''ampliar a conversa''. Ele destacou que toda a sociedade sofre com o impasse criado na negociação. Para o arcebispo Dom Albano Cavallin, a greve ''conseguiu juntar de novo a velha Londrina por uma justa causa'' (ele referia-se ao movimento pela moralização na administração pública). O arcebispo estará em Curitiba na próxima semama e se dispôs a integrar a comissão de lideranças.
O deputado Ângelo Vanhoni (PT), de Curitiba, participou da audiência e criticou os valores previstos no orçamento de 2002 para as todas as universidades, que somam pouco mais de R$ 300 milhões. Segundo Vanhoni, o orçamento prevê uma verba de R$ 180 milhões para o gabinete do governador e mais R$ 85 milhões para serem gastos nas propagandas do governo. Esses valores quase se igualam ao previsto para as universidades estaduais. O deputado integra uma comissão especial na Assembléia Legislativa que investiga a situação das universidades no Estado.


