Lideranças se unem para promover qualificação
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sábado, 27 de outubro de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Em uma iniciativa inédita, órgãos representativos de associações de moradores e entidades comunitárias promoveram ontem o 1º Encontro Comunitário do Terceiro Setor na Área Contábil, na sede do Sindicato dos Contabilistas de Londrina (Sincolon). O objetivo do encontro foi oferecer aos representantes de associações e demais lideranças informações básicas sobre leis, normas, obrigações fiscais e os melhores caminhos para encaminhar suas reivindicações.
A idéia de oferecer este tipo de qualificação partiu do Movimento das Associações de Moradores de Londrina (Mamol), União Municipal das Associações de Moradores de Londrina (Unimol), Federação das Associações de Moradores e Entidades Organizadas de Londrina (Fameol), Federação das Entidades Comunitárias e Associações de Moradores de Londrina (Fecampar) e Federação das Associações de Moradores e Demais Entidades Civis Organizadas da Zona Norte de Londrina (Famecol), junto com algumas lideranças comunitárias da cidade.
Os representantes dizem acreditar que só a informação pode mudar a realidade deste segmento. ''Uma associação é como uma empresa, que necessita, por exemplo, da administração correta dos recursos que vêm do poder público, e não só de mobilização'', informou o coordenador regional da Fecampar, Celso Melquíades, durante visita à FOLHA com outras lideranças.
O grupo lembrou que o movimento comunitário perdeu a força nos últimos anos, e um dos motivos desta crise são os problemas gerados pelas irregularidades jurídicas de muitas associações e pela falta de consciência da importância da continuidade dos trabalhos de uma gestão para outra. ''Nossa intenção é nivelar o conhecimento e alcançar o maior número de lideranças, marcando uma nova fase no movimento popular'', explicou Jorge Silva, presidente da Fameol. Ele ressaltou que a iniciativa das federações não tem qualquer interesse político e é um sinal de que não existe concorrência entre as federações.
Segundo o presidente da Mamol, Valmir Alves da Rocha, os encontros devem servir ainda para esclarecer quais são os direitos e deveres dos dirigentes das associações. ''Todos precisam saber que os estatutos existem para ser obedecidos, que os presidentes não são donos dos bairros e que o cargo não é vitalício'', alertou. Rocha lembrou ainda a importância de conhecer o 'caminho das pedras'. ''A gente vê que algumas comunidades, antes de protocolar seus pedidos nos órgãos competentes, vão para as ruas queimar pneus e, em alguns casos, depredar o patrimônio público. Não é isso que dá resultado'', defendeu.
Uma das palestras realizadas ontem abordou ainda outro tema pouco conhecido entre as associações: a responsabilidade jurídica. ''A gente vê protestos em que o pessoal leva crianças para o meio da rodovia. E se alguma coisa acontecer com uma delas, de quem é a responsabilidade? Ninguém pára pra pensar nisso'', alertou Rocha.
O grupo pretende promover outros cursos de formação. Entre os temas já programados, estão as formas de estimular a comunidade a se envolver com os problemas locais. ''Acreditamos que com organização e com participação representativa, as federações podem ter voz junto às entidades civis organizadas e participar das discussões de assuntos que mexem com a vida da cidade.''


