Além do vereador Salvador Francisco (PSDB) - presidente da Comissão de Defesa dos Consumidores da Câmara -, que solicitou ao promotor de Defesa do Consumidor, Leonir Batisti, que tome providências para reverter o reajuste de 25% na tarifa de ônibus urbano, várias outras lideranças têm criticado duramente o aumento.
Entre elas, estão o vereador Célio Guergoletto (PMDB) - que apresentou projeto de lei que tenta assegurar a participação da Câmara na aprovação dos futuros reajustes -, o ex-vice-prefeito e criador da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), empresário Assad Jananni, e o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval), Igarassu Louzada.
Segundo Jananni, por mais que os técnicos da Comurb tentem explicar, não há nenhuma justificativa real para os 25% de reajuste, quando a inflação acumulada desde o último aumento de tarifa - em julho do ano passado - foi de aproximadamente 7%.
‘‘Este reajuste é um absurdo, completamente fora da realidade. Estão querendo enganar a população; querendo tirar dinheiro de quem tem menos - os usuários, os passageiros - para dar para quem tem mais, para os donos das empresas’’, acusa Jananni.
Ele se diz revoltado com esta medida da Comurb e do prefeito Antonio Belinati. ‘‘Estou até ficando doente com este tipo de atitude de nossas autoridades. Eu pretendia ficar no meu canto, quieto, mas não consigo. Nós criamos a Comurb, tivemos a idéia dos terminais de bairros e tantas outras, sempre pensando em baratear a tarifa para a população, e agora eles começam pôr tudo a perder’’, critica o ex-vice-prefeito. ‘‘Vão querer justificar falando que diminuiu o número de passageiros, que aumentou a quilometragem rodada por mês; mas na realidade isto não existe. São argumentos não comprovados na prática.’’
O presidente do Sincoval, Igarassu Louzada, também não se conforma com o índice de reajuste concedido pelo prefeito e pela Comurb. ‘‘Foi muito acima da inflação e do reajuste no salário mínimo, de 7,14%. Isto é muito ruim porque, no fim, os custos do transporte são pagos pelo empresariado, que não tem como repassá-los para os preços de seus produtos’’, analisa Louzada. ‘‘O pior é que os governos - municipal, estadual e federal - têm reajustado suas tarifas constantemente acima da inflação, cujo controle é exigido somente dos empresários, da classe patronal. Os governos se negam a se submeter aos mesmos sacrifícios.’’
Segundo Louzada, ele enviou correspondência ao prefeito Belinati, na última semana, solicitando cuidado no reajuste da tarifa dos ônibus. ‘‘Ele nem me respondeu, e o índice veio esse absurdo. Outra aberração é a Câmara Municipal não ter interferência no cálculo dos custos, nas planilhas que levam aos reajustes da tarifa.’’
Ele diz ainda que espera que a situação mude em breve, através do projeto de Célio Guergoletto. ‘‘Por enquanto, nos sentimos lesados e inconformados com este reajuste de 25%. Ele é muito elevado e não dá para aceitar’’, ressalta o presidente do Sincoval.
O promotor Leonir Batisti não decidiu ontem - como estava previsto - se entrará na Justiça com uma ação civil pública para tentar suspender o reajuste, concedido às empresas que operam no transporte coletivo da Cidade e que entrou em vigor no domingo passado, elevando a tarifa de R$ 0,60 para R$ 0,75.
De acordo com Batisti, a decisão será tomada nos próximos dias, assim que ele terminar de analisar as planilhas de custos encaminhadas à Promotoria pela Comurb - responsável pelo gerenciamento do sistema de transportes coletivos urbanos - e pela Assessoria Jurídica do prefeito Antonio Belinati. São estas planilhas que demonstram, do ponto de vista oficial, as razões para o reajuste da tarifa. O promotor diz: ‘‘Os dados estão todos aqui nas planilhas, no papel. Vamos checar qual é a extensão deles e se condizem com a realidade.’’

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