Lucilia Okamura
De Londrina
A possibilidade de construir um Presídio Industrial semi-aberto em Londrina foi discutida ontem à tarde, durante reunião na Câmara de Vereadores. O presidente da Casa, Renato Araújo (PPB), defende a idéia afirmando que o município poderia ceder uma área e a obra seria erguida sob responsabilidade do Conselho Comunitário de Segurança.
Segundo Araújo, a construção custaria R$ 1,5 milhão. Ele acredita que a verba poderia ser conseguida junto ao governo federal (através dos deputados) e também junto à iniciativa privada. Na sua opinião, se a União disponibilizar os recursos, eles viriam diretamente para o Comunitário de Segurança. ‘‘O conselho seria supervisionado pelo juiz da Vara de Execuções Penais’’, sugere.
Depois de pronta, o presídio ficaria sob a responsabilidade do governo do Estado, através da secretaria de Justiça. Segundo o juiz da VEP, Roberto do Valle, a idéia de um presídio industrial é válido para desafogar a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). Existem projetos do governo estadual para erguer presídios industriais em cidades como Guarapuava e Maringá.
Valle explica que mensalmente são enviados 30 detentos da região para a Colônia Penal Agrícola, em Curitiba. A metade deles acaba fugindo, segundo o juiz, porque não se adaptam ao trabalho agrícola e também porque ficam longe da família. Ele acredita que se existisse um presídio em Londrina, as fugas não ocorreriam. ‘‘Além de estarem perto das famílias, os presos estariam recebendo um salário’’.
O juiz da VEP defende a idéia da comunidade se mobilizar, fazendo campanhas para conseguir recursos para a obra. Ele afirma que não há como ficar dependendo de verbas federais ou estaduais. ‘‘O exemplo é a cadeia’’, ressaltou. Ele se refere à Cadeia Pública que está sendo construída na zona sul e cujas obras estão praticamente paralisadas por falta de repasse de recursos do Governo do Estado à construtora responsável. Valle explica que seria necessária uma área de dois alqueires para o presídio industrial.
Araújo pode assumir interinamente a prefeitura nos próximos dias. Ele afirma que à frente da administração municipal, sua prioridade será de encontrar esta área. Ele já tem em vista duas sugestões: uma próxima à Cadeia Pública e outra na Cidade Industrial, zona norte.
O presidente do Conselho de Segurança, Jorge Coimbra, também defende a construção de um presídio. Ele não acredita que esta mobilização em torno do presídio atrapalhe andamento da Cadeia Pública. ‘‘Há necessidade de dar o primeiro passo’’, ressalta.Unidade iria desafogar a PEL e manteria presos da região perto da família
Arquivo FolhaEXEMPLO TRISTEPara que não se repita a história da Cadeia Pública, que está com as obras praticamente paradas por falta de verba, o juiz Roberto do Valle aconselha a comunidade a se mobilizar e conseguir dinheiro para a construção do presídio industrial

mockup