Lideranças lamentam 'recorde triste'
O recorde histórico de duração da greve das universidades estaduais do Paraná, considerada a mais longa já registrada no País, não é comemorada pelas lideranças sindicais de Londrina, Maringá e Cascavel. Sindicalistas creditam ao governo esse índice lamentável.
A greve, iniciada no dia 17 de setembro, tendo por reivindicação principal a reposição salarial de 50,03% referente às perdas dos últimos seis anos, completa hoje 117 dias. Não há no País, segundo o historiador Hélio da Costa, da Escola Sindical mantida pela Central Única dos Trabalhadores (CUT-SP), em reportagem publicada ontem na Folha, registro de um movimento grevista que tenha se estendido por tanto tempo.
Não estamos parados há tanto tempo bara bater recordes. Lutamos por melhores condições de trabalho e salários, destacou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino Superior da Região Oeste do Paraná (Sinteoeste), Luiz Fernando Reis. Ele e o presidente do Sindicato dos Servidores Técnico-Administrativos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Itamar Nascimento, afirmam que o governo foi avisado nos últimos dois anos sobre o movimento e mesmo assim prefere se manter indiferente.
Para a presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino de Maringá (Sintemar), Ana Estela Codato Silva, é um recorde triste que denuncia o descaso com o trabalhador. Estela destacou que até mesmo servidores que nunca participaram de movimentos grevistas entraram na luta com a convicção de não retornar ao trabalho sem uma proposta concreta.
O presidente o Sindicato dos Professores de Londrina (Sindiprol), Cesar Caggiano dos Santos, admitiu que toda greve é uma postura política, mas que surge a partir da reivindicação de uma categoria. A política é importante para a o crescimento de todos: pessoa, Estado, Nação.
O reitor da Universidade Estadual de Londrina, Pedro Gordan, lembrou que a situação é difícil. Apesar de ter declarado, esta semana, que se afastaria das negociações, o reitor disse que continua conversando com o comando de greve, com lideranças da sociedade e com o governo do Estado. Estamos colocando algodão entre os cristais, comentou. (Colaborou Adriana De Cunto)





