A construção do centro cultural foi muito elogiada pelas lideranças indígenas e indianistas presentes na solenidade. Para o presidente do Conselho Indígena do Paraná, Pedro Seg-Seg, a obra está repercutindo favoravelmente em outras regiões do Estado. ‘‘Sabemos que Guarapuava vai seguir o exemplo de Londrina, mais uma vez pioneira’’, disse.
Já para o presidente do Conselho Indígena do Norte do Paraná, Lorival de Oliveira, o centro resgata a dignidade da comunidade indígena. ‘‘Índio é gente e precisa ser respeitado. Ele é a raiz desta terra brasileira. Não podia mais ficar debaixo de lonas’’, observou. Segundo ele, o índio tem que saber viver na cidade, para poder comercializar seus produtos e sobreviver.
Segundo o assessor indígena do Paraná, Edir Batistelli, o centro é uma ponte inédita e importantíssima de interação entre o índio e a sociedade. ‘‘Ele vem mudar a estrutura do indianismo e força uma nova realidade ao trazer a referência indígena para o meio urbano. Até agora, o índio estava marginalizado embaixo de lonas. A partir deste momento, pode acessar condignamente a vida em sociedade’’, lembrou.
Para o cacique Jucelino Virgílio, toda a reserva está contente com o centro cultural. Segundo ele, das cerca de 250 famílias que vivem na reserva, pelo menos 30 dependem do artesanato para viver. ‘‘Vamos utilizar muito o centro. Vai ser bom para nós porque a maioria passava muitas dificuldades quando tinha que vir à cidade vender os produtos’’.
É o caso, por exemplo, da índia caingangue Ana Domingues, que traz os seis filhos - dos 2 aos 12 anos - cada vez que vem a Londrina. ‘‘Vai ser bom, né? Na barraca era difícil. Quando chovia a gente se molhava toda, passava frio. Eu gostei muito deste lugar’’, disse. (T.E.)

mockup