Lucilia Okamura
De Londrina
O depoimento prestado anteontem à tarde, em Londrina, pelo ex-diretor-administrativo-financeiro da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), Eduardo Alonso, trouxe para a sociedade os nomes de supostos envolvidos na corrupção da administração municipal. A opinião é de alguns representantes de entidades de classe ouvidos pela Folha que, garantem, continuarão mobilizados para que todo o escândalo não acabe sem a punição dos culpados.
Desde 99, diversas entidades se reuniram para acompanhar e dar apoio ao Ministério Público que investiga irregularidades na prefeitura, principalmente na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e Comurb. As entidades têm também organizado manifestações e pressionado a Câmara de Vereadores a tomar providências com relação às denúncias.
Eduardo Alonso prestou declarações à Comissão Especial de Inquérito (CEI) e disse, basicamente, que o responsável por todas as irregularidades é o prefeito Antonio Belinati (PFL). Na opinião do coordenador do Centro de Direitos Humanos (CDH), Carlos Roberto Scalassara, a população não pode aceitar passivamente o que está acontecendo. ‘‘A Câmara precisa instaurar a comissão processante; o prefeito tem que ser afastado e, consequentemente, até cassado’’, afirmou.
Segundo o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi, o silêncio de alguns dos envolvidos (como Belinati, que evita comentar sobre o assunto) é preocupante. ‘‘Isso (o silêncio) vem confirmar o que Eduardo Alonso vem afirmando e, como diz o velho ditado: quem cala consente’’.
Valter Orsi ressalta que o Legislativo tem que fazer o seu papel, que é fiscalizar e tomar medidas o mais rápido possível. ‘‘A Câmara tem obrigação de tomar decisões que a ela compete, caso contrário, coloca em risco a sua credibilidade’’, observou, sem entrar na discussão sobre a instauração ou não da comissão processante.
Segundo o presidente da Acil, as entidades têm também entrado em contato com o ex-funcionário da AMA, Edson Alves da Cruz, também considerado uma das peças-chave nas investigações. ‘‘Ele quer prestar depoimento à CEI, mas está com medo’’, observou.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/Londrina), Lauro Zanetti, disse que a Câmara deve estudar com muito cuidado o caso, mas adianta que os trabalhos no Legislativo podem culminar no pedido de abertura de uma comissão processante.
Apreensivo. Assim se sente o Padre Manoel Joaquim dos Santos, assessor de comunicação da Arquidiocese de Londrina. ‘‘Com o depoimento, toda a cidade ficou sabendo quem está por trás de tudo, mas ficou um clima de suspeita: será que Eduardo Alonso falou toda a verdade ou está escondendo alguém?’’
Ontem, no início da noite, representantes das entidades se reuniram para discutir quais providências tomarão para manter a mobilização. Padre Manoel Joaquim adiantou que uma das possibilidades a ser discutida é a visita às sedes dos meios de comunicação da cidade para pedir transparência na divulgação das notícias sobre o assunto.

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