Mauricio Della Barba
De Londrina
‘‘A Câmara está fechada e só abre na próxima quarta-feira’’. Essa era a informação dada pelo segurança da Câmara de Vereadores de Londrina na última quinta-feira. O ‘‘recesso’’ do legislativo foi decidido pelo presidente da Casa, o vereador Renato Araújo (PPB), durante a sessão histórica do dia 26 de outubro, que culminou com a abertura de duas Comissões Especiais de Inquérito (CEIs), para apurar possíveis irregularidades na administração do município.
Araújo cancelou as duas sessões seguintes – de quinta-feira (28) e de terça-feira (02) – em virtude do Dia do Funcionalismo Público e o de Finados, respectivamente. Aproveitando a proximidade do feriados, o presidente também decidiu não abrir a Câmara no dia de ontem e na próxima segunda-feira. Com isso, a Câmara de Vereadores permanecerá fechada durante seis dias. Serão 10 dias entre uma sessão e outra.
‘‘É inacreditável. Se tivesse tudo tranquilo, ainda vá lá. Mas diante dos fatos, das investigações, da pressão da sociedade em busca de resultados, parar os trabalhos na Câmara justamente agora e por seis longos dias é demais’’, disse o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi, lembrando que a maioria dos orgãos públicos, inclusive Prefeitura e Fórum, trabalharam na quinta-feira (Dia do Funcionalismo) em troca da segunda-feira.
O presidente em exercício da Ordem dos Advogados do Brasil de Londrina, Lauro Fernando Zanetti, também fez críticas ao ‘‘feriadão prolongado’’ da Câmara. ‘‘Lamentamos que os representantes do povo trabalhem menos que aqueles que pagam imposto’’, disse.
As portas fechadas da Câmara de Vereadores ontem também pegou de surpresa alguns vereadores. ‘‘Só fiquei sabendo que não haveria expediente ao chegar na frente da Câmara. Acho um absurdo. Estamos com a pauta acumulada. Deveríamos ter seguido a linha da Prefeitura’’, disse o vereador Beto Scaff (PSDB).
Outra vereadora, Elza Correia (PMDB), discorda do procedimento do presidente da Casa. ‘‘É um exagero. Se o Regimento Interno fosse obedecido não haveria problemas’’, disse. Apesar do presidente da Câmara ter poderes de decisão sobre o assunto, o regimento orienta que, quando uma sessão cai em um feriado a mesma deve ser antecipada ou adiada no dia útil mais próximo, respeitando 48 horas entre uma sessão e outra.
‘‘Isso não pega bem’, disse o vereador Roberto Kanashiro (PSDB). ‘‘Tá na cara que é para esfriar a questão das CEIs’’, avaliou Osvaldo Bergamin (PMDB). ‘‘Os dias serão bons para acalmar os ânimos e discutir melhor a composição das CEIs’’, sintetizou Tercílio Turini (PSDB).
O presidente da Câmara, Renato Araújo, não foi encontrado pela reportagem da Folha para esclarecer o assunto.

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