Que tal um emprego onde você é o patrão e tem remuneração justa, em uma empresa que colabora com a geração de mais empregos e ainda não prejudica o meio ambiente? Parece um sonho em um país de milhares de desempregados, mas pode estar mais perto da realidade do que se imagina. ''Não é necessário uma multinacional para criar empregos no Brasil, uma padaria comunitária é muito melhor''. Com essa afirmação, o filósofo Euclides André Mance, de Curitiba, resume o princípio da Rede Brasileira de Socioeconomia Solidária, fundada em 2000.
Ontem, ele esteve em Londrina participando de um encontro sobre Economia Solidária, a convite da prefeitura da cidade e do Programa de Voluntariado Paranaense (Provopar). Participaram do encontro membros de organizações não-governamentais (ONGs), conselheiros municipais de diversas áreas e estudantes. ''O objetivo é nos aproximarmos do tema e ter subsídios para montar uma proposta para Londrina. É um alento saber que existe uma alternativa para a exclusão social, que as pessoas não precisam ser exploradas ou morrer de fome'', disse a secretária de Assistência Social, Maria Luiza Rizotti.
O fundamento da economia solidária é produzir, comercializar, consumir e financiar produtos visando o bem viver das pessoas e não o lucro. ''Se você consome produtos de uma empresa que explora as pessoas e destrói o ecossistema, você também está colaborando para isso'', explicou Mance.
Mas como a economia solidária pode ajudar na geração de empregos? O princípio de tudo, segundo Mance, é a integração e mobilização de comunidades para cooperativas de compras coletivas. ''Se, em uma comunidade com 200 participantes, cada um compra 5 quilos de macarrão, juntos eles compram uma tonelada do produto. A compra coletiva é mais barata cerca de 20%'', exemplificou.
Com a economia feita através da compra coletiva, a comunidade cria uma poupança e em pouco tempo tem capital para investir na geração de renda e, consequentemente, de emprego. ''Com a comunidade organizada coletivamente ela também pode produzir, desde produtos de limpeza, roupas ou qualquer outra coisa que as pessoas queiram comprar, e isso cria postos de trabalho''.
Segundo Mance, a Rede Solidária tem catalogados 700 empreendimentos no Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul, Ceará e Paraná, que praticam a economia solidária. Mais informações através dos sites www.redesolidaria.com.br ou www.euglidesmance.pro.br

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