Lideranças políticas e empresários da região Noroeste pretendem tomar ‘‘medidas radicais’’ que garantam a recuperação das rodovias não pedagiadas. São mais de quatro mil quilômetros de estradas ‘‘abandonadas pelo Estado’’ e o problema vem causando prejuízos e mortes nos últimos anos - informam prefeitos, vereadores e comerciantes de municípios do Noroeste. ‘‘Não adianta nem a gente ser do partido do governo. Estamos abandonados’’, diz o vereador Genivaldo Belo da Silva (PFL), de Itaguajé (110 quilômetros ao norte de Maringá).
A mesma opinião tem o prefeito Pedro Castanhani (PFL), de Itaúna do Sul (84 quilômetros a noroeste de Paranavaí). ‘‘O nosso secretário de Transportes (Nelson Justus) não tem competência para ocupar o cargo’’, critica. No início de maio, Castanhari afirmou à Folha que iria abrir uma estrada paralela entre Itaúna e Diamante do Norte, diante da precariedade da PR-182, que liga as duas cidades. ‘‘A reportagem deixou o pessoal do governo revoltado, mas não adiantou nada porque a estrada está cada dia pior’’, destaca.
O prefeito não decidiu se abre a estrada paralela, mas o vereador de Itaguajé, que tem o apoio de mais 12 políticos do PFL da região, promete derrubar eucaliptos em cima da PR- 542. ‘‘Dos 25 quilômetros entre Itaguajé e Colorado, pelo menos 12 têm eucalipto nas margens’’, alerta. Ele salienta que é melhor bloquear a rodovia do que acontecerem mais mortes. ‘‘Já morreram pelo menos treze conhecidos meus nesse trecho, nos últimos dois anos’’, conta.
O empresário Laércio Ribeiro Filho, de Santa Cruz do Monte Castelo (103 quilômetros a oeste de Paranavaí), avisa que o SOS Rodovias também vai retomar os protestos. O movimento foi o responsável pelo plantio de bananeiras e pés de mandioca nos buracos da estrada entre Paranavaí e Santa Cruz. ‘‘O tapa-buracos feito na região não deu resultados, ainda mais agora com as chuvas’’, reclama. Ribeiro Filho avisa que o movimento está se articulando para cobrar providências.
O superintendente do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) na região, José Ferreira Heiddger, afirma que o governo do Estado aguarda a conclusão da licitação para a compra de lama asfáltica, ‘‘que vai melhorar as condições das estradas’’. Ele garante ainda que o serviço de tapa-buracos terá continuidade.

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