A morte do estudante universitário Wagner Cardoso Farias comprovou que Londrina vive uma onda de violência. Em menos de uma semana foram queimados dois ônibus de transporte coletivo, um terceiro veículo foi alvo de tentativa de atentado, dois jovens foram vítimas de latrocínio e outros dois foram vítimas de homicídio. Só este ano Londrina já contabiliza pelo menos 52 mortes por estes dois tipos de crime.
Para representantes da sociedade civil organizada, a hora é de mobilização para exigir mais segurança. ''Faz tempo que sentimos o aumento da insegurança em Londrina, e temos cobrado providências, mas agora há uma situação nova e assustadora: os incêndios a ônibus. Isto significa que chegamos a um grau de criminalidade similar ao do Rio de Janeiro'', argumentou o presidente da subseção Londrina da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Elizandro Pellin. Segundo ele, os últimos crimes confirmam que é hora de toda a sociedade se unir para cobrar uma contrapartida em termos de investimento de acordo com o que a segunda maior cidade do Paraná representa.
Para o presidente do Conselho Comunitário de Segurança Pública, Cláudio Espiga, não há mais locais e nem horários seguros para se transitar em Londrina. ''A situação piora a cada dia. A cidade está se trancando'', afirmou. Ele disse ter visto com bons olhos a demissão do ex-secretário de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari. ''Mostra que o governador não estava satisfeito com a política que vinha sendo adotada.''
O presidente da Câmara de Vereadores, José Roque Neto (PTB) fez coro às demais lideranças e disse que ''a sensação é que Londrina está esquecida''. Ele lembrou que nos últimos anos o município perdeu um grande número de policiais que se aposentaram e não houve reposição. ''Este alto índice de violência não pode se tornar algo comum em nossa sociedade. Queremos uma resposta concreta por parte do governo do Estado.'' Ele pretende convidar o governador Orlando Pessutti para vir a Londrina discutir a questão da segurança.
A FOLHA tentou falar com o novo secretário de Segurança Pública, coronel Aramis Linhares Serpa, mas ele informou, por meio da assessoria de imprensa, que ainda estava se inteirando da situação em todo o Estado e que preferia não se manifestar neste momento. Já o governador Orlando Pessutti viajou na tarde de ontem para Brasília, onde se reuniria com o presidente Lula, e não foi possível entrevistá-lo.

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