A proposta da criação de um shopping popular para abrigar os camelôs de Londrina, apresentada na última quarta-feira pela Associação dos Vendedores Ambulantes da Rocha Pombo, agradou a lideranças da cidade ouvidas ontem pela Folha. A única ressalva, porém, é quanto ao terreno pleiteado pelo grupo: uma área pertencente ao município, localizada na Rua Benjamin Constant, entre o Pronto Atendimento Infantil (PAI) e a Supercreche. A sugestão foi apresentada ao presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella.
Os ambulantes, hoje espalhados pela Praça Rocha Pombo e pelas ruas próximas ao Terminal Urbano de Transporte Coletivo, querem que o espaço seja ocupado por lojas, exposições de artesanato, apresentações artísticas e culturais, praça de alimentação, agências bancárias, correio e casa lotérica.
O presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal), o arquiteto e urbanista Paulo Bombassaro, diz que a idéia é boa porque tira os ambulantes de uma situação de ‘‘improviso’’. Na opinião dele, a condição atual é prejudicial para todos. ‘‘É ruim para os pedestres, para os lojistas e para os próprios camelôs, que trabalham sem infra-estrutura’’, frisa. Segundo a CMTU, Londrina tem cerca de 240 camelôs. Pelas contas da Associação dos Vendedores Ambulantes da Rocha Pombo, o número chega a 500.
Quanto ao terreno solicitado, Bombassaro sugere que seja feito um estudo urbanístico da região e alerta que aquela é a única grande área pública do centro da cidade. ‘‘O espaço público não foi feito só para ser ocupado’’, explicou. ‘‘Eles são estratégicos e precisam também ser preservados para o futuro.’’ O presidente do Ceal lembra que a área pode ser destinada para uma praça, pátio ou parque, por exemplo.
Paulo Bombassaro faz outro alerta: se o local for usado para a construção de um shopping popular, ele deixará de ser público e passará a ser um espaço comercial, com restrições para a população. Na opinião dele, a prefeitura deve consultar a comunidade antes de tomar qualquer decisão.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), George Hiraiwa, também apóia a idéia de um shopping popular para os ambulantes porque resolveria os transtornos que os comerciantes enfrentam hoje de terem de conviver com as barracas instaladas na calçada, em frente às lojas. ‘‘Seria bom até para as pessoas, que terão mais segurança para caminhar pela calçada.’’

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