Uma das lideranças do movimento das mulheres em Londrina, que pediu para não ser identificada, faz uma análise assustadora da situação na cidade. Segundo ela, o governo não se deu conta de como os ânimos estão exaltados e de como o movimento pode evoluir para uma atitude extrema de confronto. ‘‘Por enquanto a gente está conseguindo apaziguar os ânimos. Mas a revolta é muito grande’’, alertou.
Segundo ela, em Londrina qualquer ato pode ser o estopim para um conflito. ‘‘Se ocorrer aqui um episódio como em Curitiba (a prisão de duas mulheres), vai ser o mesmo que acender um barril de pólvora. Vai dar morte. Estamos com dificuldades em segurar, elas estão bravas, nervosas e isto vai virar um inferno se houver provocação. E nossos maridos vão ficar do nosso lado. Vai ser polícia contra polícia’’, afirmou.
Ela afirma que o governo precisa levar a sério o movimento. Para a liderança, o governador Jaime Lerner deveria fazer alguma coisa pessoalmente, como ir à televisão falar com as manifestantes. ‘‘Ele tem o poder e autonomia para numa situação de emergência, conceder um reajuste. Ele tem a obrigação moral de dar alguma coisa a este povo’’, apontou.

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