Líder nega expulsões em reserva
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 1997
Alexandre Sanches Da Redação 
SÃO JERÔNIMO DA SERRA - O presidente do Conselho Indígena do Norte do Paraná, Lourival de Oliveira, contestou ontem as acusações feitas por índios da reserva indígena Barão de Antonina, em São Jerônimo da Serra (95 quilômetros ao sul de Londrina), que se dizem perseguidos por lideranças locais. Ele negou que tenha havido expulsão de indígenas e disse que desde agosto do ano passado tenta mediar um acordo entre as oito famílias e os líderes.
Na sexta-feira, o índio Celso Vargas, 39 anos, e mulher dele, Nair Carriel Vargas, foram retirados de sua casa e levados para a cadeia da reserva. Eles disseram que foram expulsos pelas lideranças indígenas, porque denunciaram o arrendamento de terras à Funai. No sábado, foram transferidos para a reserva de Pinhalzinho, em Guapirama (55 quilômetros ao sul de Jacarezinho), mas voltaram no domingo para São Jerônimo da Serra.
Lourival de Oliveira disse que as oito famílias que denunciaram o arrendamento de terras fazem denúncias falsas. Desde que assumi o cargo em agosto, fizemos cinco reuniões tentando acertar o relacionamento destas famílias com o restante da comunidade. Mas eles não querem viver em paz com ninguém.
Segundo Oliveira, as famílias dissidentes - ele diz que muitas pessoas são mestiças ou brancos casados com índios - foram convidadas para morar em outras reservas. Eles não querem isso. Eles disseram preferir morar na cidade a viver em outras reservas. Mas também não querem viver em harmonia com os outros índios, comenta.
Sobre a cadeia dentro da Barão de Antonina, Oliveira argumentou que ela já existia mesmo antes do descobrimento do Brasil. Ele disse que a cadeia serve para punir os atos dos índios contra a comunidade. Vocês não têm as cadeias para prender os infratores? Nós também temos a nossa, compara.
Irritado, o líder disse que os brancos não devem interferir nas leis do índio e criticou a imprensa por ter ouvido Vargas. Temos o Conselho Indígena para resolver os problemas internos. Não precisamos do branco para julgar o que é certo ou errado na nossa cultura.
Segundo ele, não existe mais arrendamento de terras indígenas no norte do Paraná. Oliveira disse também que, desde que assumiu a presidência do Conselho, vem lutando contra o arrendamento nas reservas. Eu sou totalmente contra. Se algum cacique ou índio arrendar terras, será punido pela comunidade e pelo Conselho Indígena. O Estatuto do Índio diz que as terras não são dos índios, mas da União, ressalta.


