Albari RosaBélicoSayyed Wehbe, líder espiritual muçulmano: guerra é desculpa para interesse em dominar mercado do petróleoO líder espiritual da comunidade muçulmana no Paraná, Sayyed Bilal Mohsen Wehbe, diz que o presidente iraquiano Saddam Hussein é uma ‘‘peça-chave’’ para os interesses econômicos dos Estados Unidos nos países do Golfo Pérsico. ‘‘O próprio governo dos Estados Unidos está fazendo com que ele permaneça no poder e ao mesmo tempo está bombardeando o Iraque’’.
‘‘Lamentamos que os governantes da nação que se diz a mais democrática e defensora dos direitos humanos no mundo ataque e mate um povo indefeso’’, criticou.
Wehbe faz questão de frisar que o regime de Saddam é ‘‘opressor’’ e que o povo iraquiano sofre tanto por causa dele como pelas sanções econômicas e militares patrocinadas pelos norte-americanos. No entanto, o maior objetivo econômico dos Estados Unidos entre os países árabes é bélico, para dominar o mercado do petróleo.
Saddam Hussein só teria se tornado inimigo do ‘‘Tio Sam’’ depois que invadiu o Kuwait. Segundo Wehbe, era o motivo que os norte-americanos precisavam para declarar guerra ao Iraque e fomentar a indústria de armas que estava com dificuldades financeiras.
Uma informação surpreendente revelada por Sayyed Wehbe pode provar a relação entre os dois fatos. De acordo com ele, Saddam Hussein se reuniu com a representante da embaixada dos Estados Unidos em Bagdá a uma semana da invasão do Kuwait. Saddam queria saber da impressão norte-americana sobre a operação. Teria recebido como resposta de que o assunto era de responsabilidade dos governos do Iraque e do Kuwait e que os EUA não iriam se intrometer na questão.
Em janeiro de 91, os Estados Unidos lideravam a maior coalizão militar desde a 2ª Guerra Mundial para expulsar os iraquianos do emirado árabe, bastante rico em petróleo, uma fonte natural de riqueza cobiçada também por Alemanha, França e Grã-Bretanha, principais vendedores de armas ao Iraque.
Desde a Guerra do Golfo, como o conflito ficou conhecido, Wehbe informou que as indústrias bélicas dos EUA teriam vendido cerca de US$ 50 bilhões em armas sob o argumento de que o Irã poderia se tornar a nova potência militar do Oriente Médio e o próprio temor de que o Iraque reerguesse sua máquina de guerra. ‘‘O objetivo é incentivar a corrida armamentista na região’’, disse o líder espiritual. (D. V.)

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