Líder do MST vai depor sexta-feira
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terça-feira, 06 de maio de 1997
Osmani Costa 
O diretor regional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), Josmar Choptian, vai apresentar-se para depoimento ao delegado Jurandir André, no 4º Distrito Policial, na tarde da próxima sexta-feira. Ele é um dos principais suspeitos da polícia pela morte do segurança José Lopes de Oliveira - conhecido como Django -, ocorrida no dia 27 de abril na fazenda Borborema, em Tamarana (60 km ao sul de Londrina).
A apresentação de Josmar Choptian para interrogatório foi decidida pela direção estadual do MST, em reunião realizada na tarde de ontem na fazenda Ingá, em Bela Vista do Paraíso (40 km ao norte de Londrina).
Participaram da reunião dirigentes do MST vindos de Curitiba e os regionais de Londrina. O advogado Gerson da Silva, assessor jurídico do MST de Londrina, afirma que esta decisão foi a mais acertada e a aconselhada pela assessoria. Josmar Choptian está na fazenda Ingá desde a semana passada, quando a polícia divulgou que ele foi um dos líderes da invasão da casa onde ocorreu o assassinato de Django e, portanto, no mínimo co-autor do crime.
O delegado Jurandir André comentou, ontem à tarde, que o MST não teria mesmo outra saída a não ser apresentar Choptian para a tomada de depoimento. Eles sabem que, se o Josmar não se apresentar, eu vou decretar a prisão preventiva de umas dez pessoas suspeitas do crime. E isto é pior para os interesses deles, disse o delegado.
O Instituto de Criminalística de Londrina entregou, na tarde de ontem, ao delegado Jurandir, três laudos periciais relativos à morte do segurança José Lopes de Oliveira.
Os laudos são do exame de local, de balística e de reconstituição da cena do crime. O Instituto deve concluir hoje outros dois estudos: o de confronto de imagens - a partir de material cedido pela TV Londrina - e o de cromotografia, que está sendo realizado em laboratórios da Universidade Estadual de Londrina.
O exame de balística mostrou que o projétil encontrado no quarto onde Django foi morto - dentro da casa do administrador da fazenda - não foi disparado por nenhum dos dois revólveres encontrados no local pela polícia. O delegado afirma que essas armas pertencem aos trabalhadores sem-terra que invadiram a casa, e que a polícia prossegue na busca para apreensão do revólver 38 que disparou o tiro fatal.
Estes laudos são importantes porque provam o que, na verdade, já sabíamos: não houve o suposto suicídio do Django. Ele foi executado com um tiro na cabeça, disparado à queima-roupa e por trás, quando ele já estava dominado e caído, afirma Jurandir André. Segundo ele, os laudos comprovam também que mais de dez pessoas participaram da invasão à casa e podem ser indiciadas como co-autores do homicídio.
De acordo com o delegado, está vencida a primeira etapa da investigação e provado que houve o crime de homicídio: Entramos agora na segunda fase, que é a de ouvir os suspeitos e chegar ao autor - o que executou o disparo - e co-autores do assassinato do Django. Jurandir André explica que os nove trabalhadores sem-terra ouvidos anteontem na Delegacia de Tamarana não são suspeitos e estarão no inquérito apenas como testemunhas.
Na opinião do delegado do 4º Distrito, já houve grandes avanços nas investigações, mas falta ainda muito trabalho até a conclusão do inquérito, que ele pretende entregar à Justiça no início de junho. Após os depoimentos vamos cruzar as informações testemunhais com as dos laudos periciais, para finalizarmos o inquérito. Mesmo que não se chegue ao executor do crime muitos irão a julgamento como co-autores deste homicídio.


