O coordenador regional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Seno Staats, foi sequestrado por volta das 17h30 de anteontem, por homens armados e encapuzados, próximo a Fazenda da Madeireira Santana, na zona rural de Renascença (15 km a leste de Francisco Beltrão). Ele foi rendido, encapuzado e jogado numa caminhonete. Após cinco horas de torturas e cárcere, ele foi solto numa estrada.
Seno disse que foi abordado por oito ou dez homens, jogado na carroceria de um carro, possivelmente uma caminhonete. Staats disse que, enquanto o veículo estava em movimento, os sequestradores o atingiam com socos, chutes e coronhadas na cabeça, queimaram suas mãos com cigarro e o ameaçaram de morte.
Uma das condições impostas para libertar Seno Staats era a retirada das famílias que anteontem ocuparam uma área da Fazenda da Madeireira Santana. Também ameaçavam sequestrar familiares de Staats e outros líderes do MST.
Staats contou que, após rodar por algum tempo, os sequestradores o levaram para um matagal e colocaram um saco plástico em sua cabeça, tentando asfixiá-lo. Quando estava próximo de perder os sentidos, retiraram o plástico. ‘‘Eu até pedi que me matassem e parassem com as torturas. O pior é a pressão psicológica’’, disse o coordenador.
Após mais agressões, embarcaram o coordenador do MST no carro e o largaram próximo da sede da fazenda. O delegado da 19ª Subdivisão Policial de Francisco Beltrão, Douglas Possebon e Freitas, disse que a polícia tem algumas hipóteses que investiga no inquérito. ‘‘Vamos ouvir os funcionários e o administrador da fazenda e veremos se Seno Staats reconhece alguém’’. O que dificulta é que ele não viu nenhum dos sequestradores.
O delegado Douglas disse a situação da fazenda e da madeireira é complicada, pois há indícios que está em processo de falência. Pelo apurado até o momento pela polícia, os funcionários esperam ganhar parte da fazenda em processo trabalhista.
Segundo Freitas, alguns agricultores foram testemunhas do sequestro e viram Seno Staats numa perua Rural e os homens encapuzados e armados.
A ocupação O MST ocupou mais uma área da Fazenda da Madeireira Santana como estratégia para assentar mais pessoas. Segundo o sem-terra, Claimar Schimitz, a coordenação do movimento conversou com técnicos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que teriam garantido a despropriação da fazenda nos próximos 30 ou 60 dias.
Cerca de 35 famílias estão acampadas na área. Em junho do ano passado, 110 famílias ocuparam parte dos 2.720 hectares da fazenda. Claimar disse que o MST não vai tomar nenhuma medida em relação ao sequestro de Seno Staats, e nem acatar a ameaça dos sequestradores. ‘‘Estamos deixando na mão da Justiça, o processo já está encaminhado’’.
Seno Staats salientou que, se dependesse dele, as famílias seriam retiradas da área. ‘‘Como não posso decidir sozinho, pelo menos nos próximos dias eles continuarão lᒒ, disse.

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