José Rainha Júnior disse ontem em Londrina que está preocupado com o restabelecimento do clima de tensão na região de Pontal do Paranapanema (SP). Ele atribuiu ao governo do Estado de São Paulo a responsabilidade pela retomada das invasões naquela região. ‘‘Não existe acordo porque o governo não cumpriu nada do que prometeu’’, disse. Ele lembra que, além da liberação de recursos, havia o compromisso de assentar 3 mil famílias neste primeiro semestre. ‘‘Nada foi feito.’’
Sobre a recomendação da União Democrática Ruralista (UDR) para que os fazendeiros defendam suas propriedades, Rainha Júnior afirmou: ‘‘Vão fazer uma chacina, um massacre contra um povo indefeso’’. Ele considerou a reação dos ruralistas uma demonstração de ‘‘desespero’’. ‘‘A UDR está derrotada. O Pratinha (Guilherme Prata, vice-presidente da UDR do Pontal do Paranapanema) não manda nem na mulher dele. Vão fazer uma nova chacina na região do Pontal do Paranapanema contra um povo indefeso.’’
Segundo o líder do MST, os sem-terra não vão se armar. ‘‘Nossas armas são foice, tratores e sementes.’’
Rainha Júnior prefere ignorar a declaração feita pelo ministro especial da Política Fundiária, Raul Jungmann, de que as ameaças de novas invasões no Pontal fazem parte de uma estratégia do MST para antecipar a campanha eleitoral. ‘‘Ele foi infeliz na declaração. Sabe que foi. Tanto que eu nem a rebati.’’
O líder do MST criticou o processo de descentralização da reforma agrária, através do qual os governos estaduais decidirão com a União e a sociedade toda a política agrária, inclusive a definição de áreas a ser desapropriadas. ‘‘Essa obra é do governo federal. Passar para os estados ou municípios é não querer fazer.’’

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