Líder do acampamento nega as acusações feitas por pecuarista
Negão, líder do acampamento, joga baralho na guaritaO líder dos sem-terra no acampamento da Fazenda Sumatra, que se identifica apenas como Negão, refuta todas as acusações de Carraro. Ele concorda apenas que a negociação entre as famílias sem-terra o e proprietário, para a retirada do gado, é bem melhor sem a intereferência da polícia. O acampamento, segundo os líderes, está com cerca de 180 famílias. Estranhos não têm permissão para chegar até onde estão os barracos, ao lado da sede.
Na entrada da propriedade, em frente a PR-218, os invasores colocaram apenas a bandeira do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST). Cerca de 500 metros abaixo, onde foi montada uma guarita, um grupo de sete homens guardam a entrada da fazenda. Quatro jogam baralho e os outros três ficam em pé na frente da cancela improvisada com um tronco de eucalipto. Um deles vai até os barracos chamar Negão. Cerca de 10 minutos depois, 13 sem-terra, alguns portando foices e facões, sobem até a guarita.
A primeira informação é que Negão não está, mas todos concordam em falar sobre a invasão e como está o acampamento. Quando a conversa chega nas acusações de Carraro, um sem-terra identificado depois como sendo Negão, responde sozinho. Ele garante que não existe nenhum político, policial ou juiz acampado no local.
Um bóia-fria de Amaporã, que estava na estrada em frente a fazenda, disse à Folha que além do vice-prefeito os vereadores Laerte e Luciano Vanutti (PFL) estavam acampados na área. Ele não quis se identificar, contou que foi até a fazenda na tentativa de entrar para o acampamento, e que viu o juiz de paz da cidade, conhecido apenas como José Antonio, chegar no local pouco antes da reportagem da Folha.
Negão desconversa, diz que a fazenda foi ocupada porque o MST tinha o decreto que garante a desapropriação para reforma agrária. Respondendo às acusações de Carraro, ele garante que a área comporta lavouras. Não existe terra improdutiva e sim trabalhada de forma errada, se defende. Ele diz que a propriedade vai comportar apenas 22 famílias e a idéia é plantar café e colocar gado de leite em toda a área. A renda mensal mínima por família para as áreas assentadas é de R$ 650,00. Com o trator e o óleo de Carraro, eles plantaram cerca de 12 alqueires de milho.
Durante o tempo em que a reportagem ficou na entrada da propriedade, nenhum veículo entrou ou saiu. Negão garante que ninguém do acampamento tem carro e que a partir do momento que o Incra liberar a área, o plantio vai ocupar mais da metade da fazenda. Vamos até repor a mata nativa no córrego com espécies nativas, afirma. (M.Z.)





