Líder diz que fama do local é injusta
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terça-feira, 15 de julho de 2003
Reportagem Local 
Se a Vila da Fraternidade fosse personificada chamaria Antonio Batista de Oliveira. Alagoano de Quebrângulo, 79 anos, o motorista aposentado é testemunha viva da transformação porque passou o lugar em quatro décadas. Viu a rede elétrica chegar em meados dos anos 60, o asfalto e o sistema de transporte chegar no início da década de 70 e a rede de esgoto, nos anos 80.
Criador do XV de Novembro, campeão estadual amador de 1975, e do campo de futebol, única área de lazer do bairro, Oliveira não anda incólume pelas ruas acidentadas do bairro, que depois da experiência da UFB foi desapropriado e loteado pela própria prefeitura.
Entre dezenas, centenas e milhares, complementa a renda com talonários marcados por carbonos. É abordado a todo momento. Nos últimos 23 anos, não teria mesmo como sossegar. Oliveira é presidente da Associação dos Moradores e funciona como um pára-raio de queixas.
Caminhando pela Rua Santa Rita, ele pergunta se está tudo bem com a dona de casa Josefa de Lima da Silva, que mora em um barraco comprado pelo marido (já falecido) quando ele ainda era solteiro. A moradia, de madeira, tem três cômodos e é remanescente da extinta Vila Grilo. A casa parece que está ali para lembrar do aspecto antigo do lugar. ''Não tenho queixa não senhor''.
O neto Valdir Ribeiro da Silva Júnior, de cinco anos, brinca tranquilamente na rua e não parece ameaçado. A fama de local violento nem passa pela cabeça das novas gerações, dizem os mais velhos. Elas andam soltas pelas ruas. Umas empinam pipa, outras jogam amarelinha. ''Que eu lembre, aqui na vila só ocorreram dois homicídios'', diz o líder comunitário.
Depois da declaração polêmica, começa a defender o lugar onde mora há 43 anos. ''Tem muito crime no Jardim Pindorama, na Vila Santa Terezinha, que atribuem a Vila da Fraternidade. É uma coisa muito, muito injusta'', garante, indignado.


