Líder diz que Cohab foi conivente. Depois volta atrás
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de maio de 1997
Adriana De Cunto 
Ontem pela manhã, um dos líderes dos sem-teto chegou a dizer que a Companhia Habitacional (Cohab) de Londrina teria autorizado a invasão das casas de fibrocimento no conjunto Ilda Mandarino, na zona norte da Cidade. O representante comercial desempregado Adir Ferreira afirmou que o diretor administrativo, Fernando Barros, e o diretor-presidente da Cohab, Wilson Mandelli, teriam concordado com a ocupação. Outros moradores dizem que funcionários da companhia deram as chaves de algumas casas para os invasores.
Ontem à tarde, em reunião com vereadores e diretores da Cohab, na Câmara Municipal, Adir Ferreira voltou atrás em suas acusações. Ele admitiu que as chaves foram entregues aos invasores por um funcionário da Construtora Grande Piso, que desempenhava as funções de mestre-de-obras e ele não soube nominar. Adir Ferreira explicou que conseguiu as chaves porque o mestre-de-obras o confundiu com um funcionário da Cohab. Eu estava acompanhando a construção das casas quase todos os dias, e ele pensou que eu trabalhava para a Cohab, Foi assim que eu e meus amigos conseguimos as chaves para a invasão das casas na semana passada, comentou Ferreira.
Na opinião de Adir Ferreira Neto, 23 anos - filho do representante comercial - a Cohab teria sido conivente com a invasão porque a atual diretoria da companhia não tem interesse em levar adiante o projeto das casas de fibrocimento. As construtoras daqui não têm interesse que uma empresa de fora venha costruir em Londrina casas mais baratas do que as convencionais, acusa. Ele acredita que, com a invasão, a Grande Piso Revestimento não poderia acabar a obra - faltam detalhes em algumas das casas - e o projeto experimental não seria concluído.
Ontem pela manhã, Adir Ferreira tentou contatar várias pessoas com o objetivo de interromper a liminar de reintegração de posse. Só depois de esgotar as negociações ele resolveu dar entrevista e acusar Mandelli e Barros.
Uma das pessoas que teria recebido a chave da casa é a costureira Adriana Cristina Antunes Moreira, 26 anos, que ocupou uma das construções com a mãe, uma prima e dois irmãos. Ela mostrou a chave e disse tê-la recebido de um funcionário da Cohab. Mas não identificou os envolvidos: Não quero denunciá-los desde que arrumem um lugar para a gente ir. Se eles não ajudarem, vai ter muita gente grande da Cohab morando com a gente, ao lado da linha do trem, ameaça.


