Líder denuncia agressão da PM
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de maio de 1997
Paulo Ubiratan 
Vamos matar um a um os cinco estupradores que estão aqui, se o juiz não chegar agora para conversar, gritava Luciano Pereira Costa, o Japonês, um dos líderes da rebelião ocorrida no sábado à tarde no 3º Distrito Policial de Londrina. A rebelião durou seis horas: começou por volta das 14h30 e terminou às 20 horas. Japonês mantinha um preso seguro e com um cano pontiagudo ameaçava furar-lhe o pescoço. Um preso mostrava marcas de dois tiros que recebeu na perna e braço de policiais civis, que tentaram conter a rebelião. Outros detentos denunciavam que apanhavam da Polícia Militar durante as revistas nas celas e que presos de confiança cobravam até propina para eles usarem o telefone da delegacia. Um dos presos de confiança acusado de extorsão foi identificado como Caroço.
Enquanto durou a gritaria, o outro líder da rebelião, Wilson Bruno Ferras, conhecido por Pedrada, fazia desfilar os estupradores jurados de morte. Às vezes segurava um detento pelo pescoço batendo na sua cabeça com uma barra de ferro. Do outro lado das grades, policiais civis e militares observavam o que se passava sem poder fazer nada.
As cenas aconteciam sobre entulhos de privadas, paredes e ferros das celas semidestruídas espalhados pelo chão. Os presos exigiam a presença do juiz da Vara de Execuções Penais e corregedor das cadeias de Londrina, Roberto do Valle, para fazer as denúncias e os pedidos. O delegado-adjunto da 10ª Subdivisão Policial, Vanderci Corral Fernandes, tentava contornar a situação pedindo calma e prometendo que ninguém iria apanhar. Ele quase chegou a convencer os presos a se entregarem mas, em menos de cinco minutos, o tumulto voltou. Vanderci pediu então que todos se retirassem do local. Já haviam passado 45 minutos de conversação e ameaças. A saída dos policiais e intermediários, às 15h45, provocou uma maior gritaria dos presos. A partir daquele momento a expectativa era a chegada do juiz para os presos não cumprirem a promessa de matar os estupradores. O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Leonyl Ribeiro, chegou ao 3º DP somente por volta das 18h47 e o comandante do 5º Batalhão, Marino Ari Burille, não apareceu.
Roberto do Valle chegou ao 3º DP às 16h30 e após conversações os presos aceitaram ser remanejados para o 2º e 4º DPs e Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). Para o 2º DP foram 28 presos; o 4º DP abrigou 10 presos e para PEL foram levados 6 presos. Trinta e seis detentos continuaram no 2º distrito, mesmo com as celas semidestruídas. (Paulo Ubiratan foi um dos mediadores entre presos e Justiça)


