Líder de colonização foi preso no Brasil durante a 2ª Guerra
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sábado, 10 de maio de 1997
Da Redação 
Paulo WolfgangKlaus: filho do protagonistaEm 1930, a Alemanha sofria uma séria crise de desemprego. O Governo estava incentivando a emigração da mão-de-obra excedente. Meu pai, que era engenheiro agrônomo, foi designado pelo Ministério do Interior alemão para encontrar, no Brasil e na Argentina, boas áreas para colonização. Foi assim que nasceu a idéia de Rolândia e, na sequência, a imigração dos judeus-alemães para o Norte do Paraná, conta o agrônomo e empresário Klaus Nixdorf. Ele é filho de Oswald Nixdorf, personagem principal do livro Fugindo da Morte porque coordenou, entre 1932 e 39, a imigração alemã em Rolândia.
Não judeu, Oswald veio da Alemanha já casado e com uma filha. Os outros quatro nasceram no Paraná. Klaus nasceu em Londrina em 1934, dois anos depois da chegada de seus pais. Com menos de um ano de idade, ele mudou-se com a família para Rolândia. Seu pai passou a coordenar os trabalhos de abertura da mata para a construção dos primeiros ranchos - de madeira e troncos de palmito - em Rolândia. A família foi morar em um sítio com 36 alqueires.
Veio a Guerra Mundial e a situação se complicou para os Nixdorf. Por pressão dos Estados Unidos, em 1942 a polícia brasileira prendeu os líderes das colonizações ligadas à Alemanha nos três estados do Sul. No Norte do Paraná, seis pessoas foram presas, entre elas Oswald. O Estado confiscou as propriedades dele, que passou cerca de um ano preso em Londrina e na Penitenciária de Curitiba. A mulher do líder alemão preso, Hildegard, mudou-se para Curitiba ainda sem saber falar bem o português. Os cinco filhos pequenos foram para um orfanato, e ela passou a costurar para sobreviver.
Nossa propriedade só foi recuperada na Justiça em 1952. Voltamos a morar em Rolândia. Depois a vendemos em 77. Meu pai morreu em 81, minha mãe em 96. A colonização de Rolândia é tida na Europa como uma das mais bem-sucedidas em todo o mundo. Sempre otimista, como são os grandes empreendedores, meu pai chegou ao fim da vida satisfeito com a obra que ajudou a construir, ressalta Klaus.
(Osmani Costa)


